31 dos 54 senadores eleitos tendem a apoiar impeachment; ‘bancada’ tem ao menos 48
Por Jose Florentino — JOTA
Dos 54 senadores eleitos neste domingo (4/9), 31 tendem a apoiar afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles se somam a outros 17 que já ocupam cadeiras no Senado e que também são simpáticos ao tema, o que totaliza ao menos 47 senadores na próxima legislatura.
O quórum para abertura de processo contra um magistrado da Corte é hoje de dois terços, 54 votos de senadores. O patamar aumentou em dezembro do ano passado, após uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF. O número é o mesmo para aprovar o afastamento final de um ministro.
Até então, a lei exigia apenas o voto da maioria dos senadores presentes na sessão para a abertura de um procedimento do tipo.
O Partido Liberal (PL) de Flávio Bolsonaro, que tem o afastamento de ministros da Corte como sua principal bandeira na Casa, elegeu 19 senadores, dos quais 18 são pró-impeachment. A legenda terá a maior bancada do Senado, com 28 senadores.
O PL tem os senadores mais vocais pelo afastamento de membros da Suprema Corte, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, a quem acusam de perseguição ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro, condenado por planejar um golpe de Estado.
É o caso da senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), que afirmou durante a campanha que a bancada conservadora no Senado terá como objetivo principal pedir o impeachment dos ministros que “não respeitarem a Constituição”.
Mesmo fora do PL, o ministro Alexandre de Moraes tem inimigos declarados. O senador eleito Evair de Melo (Republicanos-ES), que chamou Moraes de tirano, ditador e omisso, prometeu votar a favor do impedimento do magistrado caso fosse eleito.
O JOTA avaliou que os outros 23 senadores eleitos não se posicionaram objetivamente sobre o impeachment. Ao longo da campanha, a maioria desses condicionou o afastamento dos ministros a uma investigação rigorosa sobre o envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Alguns, ainda, sequer emitiram opinião sobre o assunto.
Reinaldo Azambuja (PL-MT), por exemplo, apesar de fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, reforçou que é necessário “afastar para investigar”, mas não condenar sem provas.
Mais à esquerda no espectro político, Renato Casagrande (PSB-ES), defendeu que o Senado deve avaliar qualquer denúncia com estrita observância ao devido processo legal, e não como instrumento de retaliação política.
A leitura é de que a divulgação das conversas entre o ministro Alexandre Moraes e Vorcaro forçou até mesmo nomes que geralmente saem em defesa da Suprema Corte a se posicionar pró-forma para não arriscar perder votos na reta final da campanha.
O Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Rede Sustentabilidade elegeram oito senadores em 2026, nenhum deles pró-impeachment. As demais siglas que emplacaram nomes ao Senado têm pelo menos um candidato pró-impeachment.
Dez estados elegeram dois senadores favoráveis ao afastamento de ministros do STF : Acre, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A nível de região, destaque para o Sul que elegeu apenas candidatos pró-impeachment.
Senadores atuais
Entre os parlamentares com mandato até 2031 e pró-impeachment, dois foram eleitos governadores: Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais, e Sergio Moro (PL), no Paraná. Em ambos os casos, seus suplentes tendem a ter posição similar: Alex Sandro Coelho Diniz (PL) e Luis Felipe Cunha (União), respectivamente.
O mesmo não pode ser dito sobre os suplentes de Alan Rick (Republicanos-AC) e Professora Dorinha (União-TO), que estão no segundo turno da eleição para governos estaduais. Ambos são favoráveis ao impeachment de ministros, mas seus respectivos suplentes – Gemil Júnior (PSD) e Professora Lú Parizi – têm baixa atividade política.
Há ainda o caso de senadores que são críticos a decisões de ministros e, a depender do contexto, podem apoiar a abertura de processos. Entre eles, destaca-se Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que tem criticado Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino nas redes sociais.
Fonte: JOTA