8 novos cinemas de rua ressuscitam salas com arquitetura arrojada e um quê de café-bar

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Por Sara Magalhães — Seu Dinheiro

O público está voltando a ocupar as salas de cinema. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, novos projetos, endereços históricos em recuperação e espaços ainda em obras apostam em arquitetura, gastronomia, bares, eventos e curadoria para transformar a ida ao cinema em um programa que começa antes da sessão e pode continuar depois dela.

De um lado, estão projetos privados como o Cine Tutu, na Vila Madalena, o futuro Nu Cine Copan, no centro de São Paulo, ou, então, a reconstrução do Cine Rosário, no Edifício Martinelli. Por outro lado, há uma série de investimentos públicos no Rio de Janeiro para recuperar salas que ficaram fechadas ou perderam espaço no circuito comercial.

Confira os cinemas de rua que estão ajudando a redesenhar o circuito cultural do eixo Rio-São Paulo:

Cine Tutu: cinema com café, drinques e arquitetura de Isay Weinfeld

Cine Tutu, na Vila Madalena, em São Paulo
Cine Tutu, na Vila Madalena, em São Paulo – Imagem: Divulgação

A Vila Madalena ganhou neste mês seu primeiro cinema de rua. O Cine Tutu abriu as portas na Rua Girassol, 555, com uma sala de 114 lugares projetada pelo arquiteto Isay Weinfeld. As poltronas estampadas, por exemplo, são o charme a parte do novo endereço.

O projeto foi idealizado por Paulo Velasco, também sócio do Cinesala, em Pinheiros. Além disso, a sala tem projeção a laser 4K, som Dolby 7.1 e poltronas largas, incluindo chaise longues nas primeiras fileiras. Os ingressos variam de R$ 26 a R$ 84, de acordo com horário, dia e tipo de assento.

Mas a experiência não termina na sala de exibição. Na entrada do cinema está uma nova unidade do Barouche, café-bar dos sócios do projeto, com cafés, sanduíches, saladas, drinques, vinhos e chope. O espaço também tem arquibancada, áreas de convivência e elementos inspirados no ritual de ir ao cinema.

A programação combina lançamentos, cinema de arte, filmes brasileiros e internacionais, mostras, sessões temáticas e eventos.

Nu Cine Copan: um cinema de 440 lugares no centro de São Paulo

Projeto do Nu Cine Copan, em São Paulo
Projeto do Nu Cine Copan, em São Paulo – Imagem: Divulgação

Se o Cine Tutu aposta na escala intimista, o futuro Nu Cine Copan segue, por sua vez, uma direção mais grandiosa.

O antigo Cine Copan, no térreo do edifício projetado por Oscar Niemeyer, será reaberto em 2027 com patrocínio do Nubank e gestão da Viva do Brasil. O espaço estava inativo havia quase quatro décadas. As obras começaram em maio deste ano e, segundo a previsão atual, devem seguir até junho de 2027.

A nova sala terá cerca de 440 lugares, uma tela de LED de 17 metros e sistema de som Dolby Atmos. Além da sala de exibição, o projeto prevê boulevard, gastronomia, bar, loja e áreas para conferências e eventos.

A ideia é que o cinema possa receber festivais, pré-estreias, sessões comentadas, encontros com artistas e outras atividades ligadas ao audiovisual.

Cine Rosário: R$ 25 milhões para ressuscitar um cinema de 1929

Projeto de renovação do Cine Rosário, no Edifício Martinelli, em São Paulo
Projeto de renovação do Cine Rosário, no Edifício Martinelli, em São Paulo – Imagem: Divulgação

No Edifício Martinelli, outro cinema histórico de São Paulo está prestes a ganhar uma nova vida, embora ainda não exista uma data definida para a reabertura.

O Grupo Tokyo prepara um investimento estimado em R$ 25 milhões para recriar o Cine Rosário, inaugurado em 1929 e fechado desde 1955. Dessa vez, o espaço será transformado em uma sala preparada para receber tanto filmes quanto peças de teatro e outras apresentações.

O investimento faz parte de um projeto maior de restauração e readequação do Martinelli, estimado em cerca de R$ 100 milhões. Segundo o grupo, R$ 20 milhões desse montante já foram investidos.

Além disso, a nova operação não pretende reproduzir o modelo de um multiplex de shopping. A ideia é trabalhar com curadoria própria e programação cultural diversificada. O projeto ainda depende de aprovações dos órgãos de preservação do patrimônio. Somente depois dessa etapa, a expectativa é concluir as intervenções em até 18 meses.

Cine Odeon: um século depois, a sala volta ao circuito comercial

Cine Odeon, no Rio de Janeiro
Cine Odeon, no Rio de Janeiro – Imagem: Rogério Resende/ Divulgação

No Rio de Janeiro, entre as novidades mais recentes está o Cine Odeon, na Cinelândia. O cinema completou 100 anos em 2026 e, depois de anos funcionando principalmente em eventos e festivais, voltará a ter sessões comerciais a partir de 29 de outubro. O anúncio foi feito durante a abertura do Festival do Rio.

A reabertura, por sua vez, faz parte do programa Reviver Cinema, da Prefeitura do Rio, criado para recuperar e modernizar salas de rua e ampliar a oferta cultural em diferentes regiões da cidade.

Cine Santa: cinema de bairro ganha nova sala

Cine Santa, no charmoso bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro
Cine Santa, no charmoso bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro – Imagem: Divulgação

Em Santa Teresa, o Cine Santa voltou a funcionar em junho de 2024 depois de uma reforma de quatro meses. A Prefeitura investiu R$ 700 mil, com recursos da Lei Paulo Gustavo, para modernizar o espaço.

A sala, inclusive, ganhou projeção a laser, novas caixas acústicas, poltronas mais largas, melhorias de acessibilidade e ampliação do café e da bomboniere.

Agora, o endereço volta a receber investimentos. A primeira fase do Reviver Cinema prevê uma segunda sala com 50 lugares, além de um espaço de convivência e eventos.

CineCarioca José Wilker: R$ 2,3 milhões em Laranjeiras

CineCarioca José Wilker, no Rio de Janeiro
CineCarioca José Wilker, no Rio de Janeiro – Imagem: Divulgação

Outro exemplo é o cinema Casas Casadas, em Laranjeiras. Fechado desde 2008, o antigo cinema ganhou o nome de CineCarioca José Wilker e voltou a funcionar em dezembro de 2024.

O espaço tem duas salas de 65 lugares cada e recebeu R$ 2,3 milhões para a reforma, com recursos da Lei Paulo Gustavo. A iniciativa também faz parte da estratégia da Prefeitura de ampliar o circuito de cinemas de rua do Rio.

CineCarioca Penha: duas salas depois de 17 anos fechado

Na Zona Norte do Rio, o CineCarioca Penha ficou fechado por cerca de 17 anos antes de ser reformado e reaberto em 2024. Depois da reforma, o espaço ganhou duas salas, com 280 lugares no total, além de novos equipamentos de som e projeção, mobiliário e climatização.

A reforma, aliás, recebeu R$ 1,25 milhão e fez parte do edital Viva o Cinema de Rua!, da RioFilme, com recursos da Lei Paulo Gustavo. Nesse caso, porém, o modelo se distancia do cinema premium de São Paulo: a proposta inclui preços populares, entre R$ 10 e R$ 30.

Ponto Cine: a sala popular que voltou depois da pandemia

Ponto Cine, no Rio de Janeiro
Ponto Cine, no Rio de Janeiro – Imagem: Divulgação

Em Guadalupe, o Ponto Cine reabriu em maio de 2024, depois de quatro anos fechado em razão dos efeitos da pandemia.

Com 73 lugares, o cinema foi inaugurado em 2006 e construiu uma trajetória marcada pela exibição de filmes brasileiros. Para voltar a funcionar, recebeu R$ 500 mil por meio do edital Viva o Cinema de Rua.

A verba, aliás, financiou a reforma da estrutura, a troca do carpete e dos móveis, os ajustes no projetor, a renovação dos equipamentos e a instalação de um painel de LED na fachada.

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Fonte: Seu Dinheiro

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