Haddad fez “campanha heroica” em São Paulo, avalia Marco Aurélio de Carvalho
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “heroico” o resultado obtido por Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, apesar da derrota ainda no primeiro turno. O petista alcançou 36,42% dos votos válidos no estado.
Em entrevista ao Metrópoles, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, atribuiu o desempenho de Haddad, entre outros fatores, à capacidade de alcançar uma votação expressiva mesmo com recursos inferiores aos empregados pela esquerda na eleição municipal de 2024.
“Acho que o Haddad teve um desempenho honestamente heroico levando em consideração a quantidade de dinheiro que nós recebemos. Nós gastamos um quarto, um quinto aproximadamente do que foi gasto na eleição para a prefeitura de São Paulo”, afirmou Carvalho.
Segundo o coordenador, Haddad conseguiu ainda ampliar sua votação em relação à disputa anterior pelo Palácio dos Bandeirantes. “Então, você tem uma noção do tamanho do desafio. Ele conseguiu ampliar em 1,5% a votação anterior, mas foi heroico”, declarou.
De acordo com os dados citados pelo Metrópoles, Haddad recebeu R$ 18,3 milhões para sua campanha neste ano. Na eleição municipal de 2024, Guilherme Boulos (PSOL), então candidato à Prefeitura de São Paulo com apoio do PT, recebeu pouco mais de R$ 44,1 milhões da direção nacional petista.
Os gastos totais da campanha de Boulos naquele pleito foram seis vezes superiores aos registrados pela candidatura de Haddad neste ano, conforme dados do DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado de Haddad também representou o melhor desempenho do PT em São Paulo em uma eleição na qual o governador do estado conseguiu a reeleição já no primeiro turno.
Haddad deve atuar no segundo turno de Lula
Encerrada a disputa estadual, Haddad deve participar da estratégia de Lula para o segundo turno da eleição presidencial. Na segunda-feira (5), ele esteve na reunião convocada pelo presidente em Brasília para discutir com aliados os próximos passos da campanha.
“Haddad não vai abandonar a luta jamais. É alguém profundamente comprometido com o presidente Lula”, disse Carvalho.
A situação de São Paulo é considerada um dos principais desafios para a campanha petista na etapa final da disputa presidencial. Flávio Bolsonaro venceu Lula no estado no primeiro turno, com 51,93% dos votos, enquanto o presidente obteve 38,20%.
A estratégia defendida pela coordenação lulista passa por reduzir essa diferença no maior colégio eleitoral do país, preservar e ampliar a vantagem de Lula no Nordeste e buscar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Nós temos que olhar pro resto do país. O desafio aqui é o mesmo. É mostrar, em São Paulo e no Brasil, o governo que nós recebemos e o governo que nós estamos entregando. É mostrar o que nós representamos e o que eles representam”, afirmou Carvalho.
“Então, nós estamos confiantes. O desafio é diminuir, evidentemente, a vantagem deles em São Paulo, ampliar a nossa vantagem no Nordeste e tentar convencer os 30 milhões de brasileiros, uma parte dos 30 milhões de brasileiros que não foram às urnas, do que está em jogo, do que está em disputa”, acrescentou.
O desempenho eleitoral paulista também mostrou a existência do chamado voto cruzado em municípios onde parte do eleitorado escolheu Lula para a Presidência, mas apoiou Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo estadual.
No cenário nacional, candidatos a governos estaduais apoiados por Lula tiveram resultados distintos no primeiro turno. Cinco foram eleitos diretamente, enquanto quatro avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Outros 18 nomes apoiados pelo presidente foram eliminados na primeira etapa da eleição.
Fonte: Brasil 247