Brasil: Milei comemora, com novos ataques contra Lula, e esquerda internacional lembra que falta segundo turno

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Por Marcia Carmo — Brasil 247

Assim que ficou claro, na noite de domingo, que será realizado o segundo turno da eleição presidencial brasileira, o presidente da Argentina, Javier Milei, postou quatro mensagens eufóricas nas suas redes sociais. “Parabéns, querido amigo, por esta eleição histórica contra o comunista Lula. O continente americano é de cidadãos que querem viver em liberdade”.

Ataques

A palavra ‘liberdade’ ganhou outra conotação desde que Milei assumiu a Presidência em 2023. Nesta segunda-feira, um dia depois da eleição, o argentino escreveu no X que “os mercados festejam” o resultado do primeiro turno no Brasil. E voltou a atacar o presidente Lula. “Perdeu um ‘zurdo’ (esquerdista) comunista e os mercados comemoram. Esquerdistas empobrecedores, saiam do caminho para deixar o continente brilhar”. Milei ainda assinou este post com a marca do norte-americano Donald Trump: MAGA. Nas últimas semanas, o presidente argentino voltou a usar as redes sociais intensamente e muitas de suas postagens incluem palavrões, com a artilharia verbal voltada para economistas, analistas e jornalistas.

Embaixador do Brasil

Neste ambiente hostil, intensificado por Milei após o resultado do primeiro turno no Brasil, ficou ainda mais difícil o retorno do embaixador do Brasil, Júlio Bitelli, para seu posto em Buenos Aires. A relação diplomática bilateral foi ‘rebaixada’, segundo o glossário do Itamaraty, desde que Milei subiu ao palanque de Flávio Bolsonaro na convenção do PL em São Paulo e depois ampliou seus ataques contra Lula em uma entrevista numa televisão argentina.

Os candidatos de Trump

Atualmente, o Brasil, o Uruguai e o México são algumas das principais exceções em uma América Latina que registra, nos últimos anos, o avanço da extrema-direita e da direita tradicional através das urnas. Trump tem dito publicamente que, desde que retornou à Casa Branca em 2025, todos os candidatos que apoiou venceram a eleição presidencial na nossa região. Foram os casos, por exemplo, de Milei, na Argentina, de José Antonio Kast, no Chile, de Rodrigo Paz, na Bolívia, de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, de Daniel Noboa, no Equador, e de Nasry Asfura, em Honduras.

Esquerda internacional

Dias antes da eleição no Brasil, vinha crescendo um movimento de latino-americanos do campo progressista que dizia nas redes sociais que adoraria ter documento brasileiro para votar por Lula e tentar colocar um freio na onda da extrema-direita na região. No Uruguai, a direção nacional do MPP, maior setor da coalizão de esquerda Frente Ampla, emitiu um comunicado, horas antes da eleição no Brasil, dizendo que a reeleição do presidente Lula é uma forma de “frear a intervenção direta dos Estados Unidos na região”. Nesta segunda-feira, em Montevidéu, quando perguntado sobre o resultado da eleição de domingo (4), o presidente uruguaio Yamandú Orsi lembrou que falta o segundo turno. “Existem resultados surpreendentes e é preciso esperar o segundo turno”. Ele afirmou ainda que seu governo tem mantido relação com os países vizinhos, independentemente de quem os governa, mas voltou a dizer que é preciso esperar o segundo turno no Brasil. Na Argentina, o peronismo torce pela reeleição de Lula e esperava que o presidente chegasse a vencer no primeiro turno. Uma comitiva de políticos do kirchnerismo acompanhou a eleição e as palavras do presidente em São Paulo e agora planeja retornar no segundo turno. “A eleição ainda não terminou”, afirmam. As equipes de televisão da Argentina e de outros países do continente, que transmitiram a jornada do primeiro turno ao vivo de diferentes lugares do Brasil, também já planejam o retorno para uma ampla cobertura no dia 25 no “gigante”, como eles dizem, da América Latina.

Fonte: Brasil 247

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