Lula e mais um tabu a ser quebrado
Por Ricardo Mezavila — Brasil 247
O Brasil já saiu derrotado das eleições com o ‘derramamento de sangue’ nos candidatos da extrema-direita no Senado Federal, mas ainda resta um fio de esperança com a disputa do segundo turno, que pode manter a saúde mental preservada e a mobilização em sentinela.
Há uma estatística que diz tudo sobre a trajetória de Lula e sobre o momento em que o Brasil vive. Desde a redemocratização, três presidentes tentaram reconquistar o mandato — e todos conseguiram. Fernando Henrique em 1998, Lula em 2006, Dilma em 2014. Ninguém perdia. Era uma regra quase natural: o presidente em exercício, com máquina, exposição e prestígio, se mantinha.
Isso durou até 2022. Foi Lula quem quebrou essa lógica. Foi ele quem derrotou Bolsonaro e tornou-se, na história, o primeiro a impedir a reeleição de um presidente da República. Um tabu de 25 anos caiu. Agora, em 2026, a história coloca diante dele um obstáculo ainda mais impressionante.
Desde 1989, o Brasil teve sete eleições presidenciais. Cinco foram ao segundo turno. Em todas elas, quem liderou no primeiro turno saiu vitorioso na etapa decisiva. Não houve exceção. Quem ficava atrás, por menor que fosse a diferença, não conseguia inverter o quadro.
No primeiro turno de 2026, a diferença foi de aproximadamente 2 pontos percentuais — a menor da história. Numericamente, parece pouca coisa. Mas estatisticamente, estamos diante de um muro que nenhum candidato escalou.
Perder a reeleição era raro — aconteceu uma vez em quatro tentativas. Virar no segundo turno estando atrás no primeiro? Zero em seis tentativas. Inédito. Ou seja: o feito que Lula precisa realizar agora é mais difícil do que o feito que ele realizou em 2022. Ele já quebrou um tabu considerado quase impossível. Agora, é chamado a quebrar outro — que até hoje ninguém tocou.
Como disse Lula após o resultado do primeiro turno — “sou muito bom no mata-mata”. Lula tem demonstrado capacidade de mobilização que nenhum outro nome do campo democrático igualou.
Nada está garantido. Os números históricos são obstáculos reais. Mas também é verdade que, quando alguém dizia “isso não acontece no Brasil”, foi Lula quem respondeu: “acontece agora”. O único homem que já quebrou esse tipo de padrão é quem está na posição de fazê-lo novamente. A história não disse que é possível. Mas a história ainda não tinha visto Lula tentar.
Fonte: Brasil 247