Centrão perde espaço no Congresso com avanço do PL na Câmara e no Senado
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O crescimento do PL nas eleições para o Congresso reduziu o espaço ocupado pelos principais partidos do Centrão na Câmara dos Deputados e ampliou a influência da legenda na próxima legislatura. União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos elegeram, juntos, 207 deputados, enquanto o PL alcançou 121 cadeiras e terá a maior bancada da Casa. Atualmente, os cinco partidos associados ao Centrão reúnem 226 deputados, o que significa uma redução de 19 vagas.
A maior perda ocorreu na federação formada por União Brasil e Progressistas. As duas siglas possuem atualmente 98 deputados e elegeram 87 para a nova legislatura. O PSD passou de 48 para 43 cadeiras, enquanto o MDB caiu de 38 para 36 e o Republicanos, de 42 para 41.
Em sentido contrário, o PL ampliou sua bancada dos atuais 98 para 121 deputados. A legenda recebeu 25,8 milhões de votos para a Câmara, equivalentes a 22% dos votos válidos.
A federação formada por PT, PCdoB e PV também cresceu. O grupo, que atualmente tem 82 deputados, passará a contar com 88 e recebeu 15,32% dos votos válidos.
Outras siglas de esquerda, porém, perderam espaço. O PDT caiu de dez para seis deputados, o PSB passou de 17 para 16, e a federação PSOL-Rede diminuiu de 16 para 15 parlamentares.
Com a nova composição, o peso conjunto dos principais partidos do Centrão deverá cair de aproximadamente 44% para 40% das cadeiras da Câmara. Mesmo com a redução, o grupo continuará tendo papel decisivo na formação de maiorias, já que nenhum dos principais campos políticos alcançou sozinho os 257 votos necessários para obter maioria absoluta na Casa.
PL também amplia força no Senado
O crescimento do PL foi ainda mais expressivo no Senado. A legenda passará dos atuais 15 para 28 senadores e terá mais de um terço das 81 cadeiras.
Em alguns estados, o partido conseguiu conquistar as duas vagas em disputa. No Rio de Janeiro, foram eleitos Carlos Jordy e Carlos Portinho. Em Santa Catarina, venceram Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro. No Distrito Federal, as vagas ficaram com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em Mato Grosso do Sul, foram eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
Entre os partidos do Centrão, o PSD registrou a maior redução no Senado, passando de 14 para cinco parlamentares. O Republicanos manteve seis senadores, enquanto a federação União Progressista preservou suas 11 cadeiras.
O PT também manterá nove senadores. Entre os eleitos pelo partido estão Rui Costa e Jaques Wagner, na Bahia; Humberto Costa, em Pernambuco; Rogério Carvalho, em Sergipe; e Marília Campos, em Minas Gerais.
A nova composição também representa perdas para partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em alguns estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Paulo Paim (PT) encerra o mandato e as vagas serão ocupadas por Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL). No Distrito Federal, Leila Barros (PDT) deixa a Casa e dão lugar a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
A ampliação da presença do PL no Senado ganha relevância também pela prerrogativa da Casa de analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O tema tem sido uma das principais bandeiras da oposição.
Fonte: Brasil 247