Partido Verde do Reino Unido aprova moção que classifica o sionismo como racismo
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Partido Verde do Reino Unido aprovou, em votação realizada no domingo (4), uma moção que oficializa a classificação do sionismo como uma forma de racismo. A resolução aprovada pelos militantes partidários provocou reações imediatas e duras críticas por parte de organizações da comunidade judaica britânica e também do governo de Israel, que declarou passar a considerar a legenda política como “uma entidade que confere legitimidade ao terrorismo”, segundo reportagem da Reuters.
A sigla — que obteve 6% do total de votos nas eleições nacionais do Reino Unido em 2024 — justificou a decisão ao caracterizar o sionismo como “um projeto político etnonacionalista”. Na mesma deliberação, os membros do partido reiteraram o pedido formal para que o governo trabalhista britânico interrompa de maneira integral todo o comércio de armas e suprimentos militares mantido com o Estado de Israel.
Em comunicado oficial divulgado após o encerramento da votação, a legenda enfatizou o teor da proposta. “A moção também reafirma o apoio do Partido Verde ao direito à autodeterminação e pede o estabelecimento de um único Estado democrático em toda a Palestina histórica”, afirmou a nota emitida pela organização política.
A definição do sionismo — movimento político e ideológico que inspirou e impulsionou a criação e fundação do Estado moderno de Israel durante o século XX — e suas consequências diretas para a garantia dos direitos da população não judaica em solo israelense e nos territórios vizinhos permanecem no centro de debates intensos. Enquanto críticos apontam caráter discriminatório na iniciativa, grupos e entidades judaicas definem o conceito como a manifestação do direito fundamental do povo judeu à sua própria autodeterminação.
O texto do projeto foi chancelado pela maioria dos delegados presentes, registrando 1.022 votos favoráveis contra 813 contrários, superando a oposição declarada de lideranças de peso interno. O líder da agremiação, Zack Polanski — que concorre em pleito parlamentar complementar na vaga deixada pelo ex-primeiro-ministro Keir Starmer em um distrito eleitoral de Londres —, absteve-se e não participou da votação.
O resultado do pleito interno foi veementemente repudiado por organizações representativas locais. “O Partido Verde transformou o antissemitismo em política partidária e se tornou um partido racista”, protestou o Movimento pelo Judaísmo Progressista. A instituição acrescentou ainda que o fato de alguns integrantes judeus terem apoiado a medida não anula o potencial discriminatório da resolução contra a comunidade.
O vice-líder do Partido Verde e um dos principais defensores da moção, Mothin Ali, declarou em entrevista à emissora Sky News que o volume expressivo de mortes de civis palestinos nas operações militares promovidas por Israel na Faixa de Gaza — desdobramento que se seguiu ao ataque do grupo militante Hamas em 2023 durante um festival de música — constituiu o pano de fundo determinante para a decisão tomada na conferência.
“A moção define o sionismo de forma bastante clara. Ela o define como um movimento etnonacionalista. Ela o define como limpeza ethnic. Ela o define como genocídio”, sustentou Ali durante a entrevista.
Atualmente, a posição oficial do governo britânico classifica as ações promovidas por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada como atos equivalentes a limpeza étnica, ressaltando contudo que a avaliação sobre eventual crime de genocídio nas demais operações israelenses cabe exclusivamente às instâncias judiciais internacionais.
Em contrapartida, o governo de Israel rejeita categoricamente as acusações de limpeza étnica e genocídio. No domingo, o Executivo israelense instou os demais partidos britânicos a repudiarem publicamente a deliberação dos Verdes. “Os Verdes adotaram não apenas o verde do Hamas, mas também sua ideologia: a eliminação do Estado de Israel por meio da luta armada”, declarou a representação israelense.
Apesar das pressões, Polanski e outros quadros do Partido Verde reiteraram o posicionamento da agremiação, afirmando que prosseguirão firme no propósito de “denunciar os crimes hediondos do governo de Netanyahu”, argumentando que “não há conflito entre apoiar os direitos dos palestinos e os direitos do povo judeu”.
Fonte: Brasil 247