União Brasil-PP sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A federação formada por União Brasil e PP caminha para apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, após o senador terminar a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A definição deve ser discutida em reunião marcada para esta terça-feira (6), em Brasília.

Segundo a Folha de São Paulo, dirigentes das duas siglas consideram que o resultado do primeiro turno alterou o cálculo político do centrão e aumentou a tendência de adesão à candidatura de Flávio. Outras legendas do bloco também devem começar a definir suas posições a partir desta segunda-feira (5).

Com 99,93% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% de Lula. O desempenho surpreendeu integrantes do centrão, que trabalhavam com a expectativa de uma vitória do petista no primeiro turno, ainda que por margem estreita.

A aproximação com Flávio também é vista pelos partidos como uma forma de ampliar espaço político em um eventual governo do PL. União Brasil e PP, que atuam como uma única legenda por estarem federados, projetam eleger cerca de 115 deputados e poderiam constituir uma base relevante para a formação de maioria na Câmara.

A reunião da federação está prevista para as 16h de terça-feira e deverá reunir deputados e senadores eleitos. A tendência é que a direção nacional se manifeste em favor de Flávio Bolsonaro, mas permita que diretórios estaduais apoiem Lula sem sofrer punições.

Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, devem participar do encontro. De acordo com a Folha, os dois demonstram inclinação pelo candidato do PL, sobretudo Nogueira.

O senador do PP pelo Piauí foi derrotado na eleição deste domingo após Lula participar diretamente da campanha no estado. Nogueira mantinha um acordo informal de não agressão com o presidente, mas a relação se deteriorou quando Lula foi ao Piauí e apoiou Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), eleitos para o Senado.

No União Brasil, dirigentes adotam postura mais cautelosa. Uma eventual aliança com Flávio Bolsonaro poderá ser condicionada ao apoio do PL à recondução de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado, em fevereiro de 2027.

Sem mandato a partir do próximo ano, Ciro Nogueira também poderá negociar uma posição em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, segundo aliados citados pela reportagem.

MDB ainda não definiu posição

No MDB, o resultado das urnas tornou mais incerto o posicionamento da legenda no segundo turno. Antes da votação, predominava a perspectiva de neutralidade, sustentada principalmente pelo grupo mais próximo de Lula.

Essa ala sofreu derrotas importantes. Renan Calheiros (AL) não conseguiu se reeleger senador, Renan Filho perdeu a disputa pelo governo de Alagoas e Helder Barbalho não conseguiu eleger seu sucessor no Pará, embora tenha conquistado uma vaga no Senado.

O campo alinhado ao presidente também obteve vitórias, como as reeleições de Veneziano Vital do Rêgo, na Paraíba, Marcelo Castro, no Piauí, e Eduardo Braga, no Amazonas.

Já o grupo do MDB mais próximo do bolsonarismo tem entre suas principais lideranças o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que declarou voto em Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno.

Republicanos tende à neutralidade

O Republicanos também enfrenta divisões internas. Flávio Bolsonaro mantém uma relação distante com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e, segundo a reportagem, não procurou o dirigente nas semanas anteriores ao primeiro turno.

Ao mesmo tempo, o partido abriga nomes fortemente associados ao bolsonarismo, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Em outra direção, o presidente da Câmara, Hugo Motta, integrante do Republicanos, fez campanha para Lula na Paraíba. Seu pai, Nabor Wanderley, foi candidato ao Senado e acabou derrotado.

Diante dessas diferenças, a tendência no Republicanos é pela neutralidade formal, com liberdade para que cada diretório escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro. O movimento também busca preservar Hugo Motta, que se aproximou do governo Lula ao longo de sua gestão na Câmara.

Solidariedade e PRD, que também disputaram a eleição em federação, devem se reunir para decidir se mantêm posição neutra ou se aderem à candidatura de Flávio.

Fonte: Brasil 247

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