Onda de direita no Senado ameaça o STF
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – As eleições realizadas neste domingo (4) consolidaram o PL como a maior força partidária do Senado Federal. A legenda ligada ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) elegeu 19 senadores e passará a contar com uma bancada de 28 parlamentares a partir de fevereiro de 2027. Com o novo desenho, o partido passa a ocupar cerca de um terço da Casa, obtendo musculatura suficiente para negociar a presidência do Senado e aprovar matérias de maioria simples (41 votos) com o apoio de aliados.
O crescimento do PL ameaça diretamente os planos de reeleição do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Caso consiga eleger o comando do Senado, a ala bolsonarista ficará mais próxima de pautar projetos prioritários do seu grupo político, como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A ampliação da presença na Casa era uma das metas declaradas de Jair Bolsonaro (PL), que visava controlar as sabatinas e indicações para a Suprema Corte.
Apesar do avanço e da pressão sobre ministros do STF — em especial Alexandre de Moraes —, o bloco conservador ainda permanece distante do número necessário para aprovar a cassação de um magistrado. O processo de impeachment exige o voto favorável de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 parlamentares.
Em contrapartida, os partidos do campo da esquerda registraram retração na Câmara Alta. O PT manteve sua bancada de nove senadores, enquanto o PSB perdeu três cadeiras e o PDT reduziu sua representação em um assento. Somando a vaga conquistada pela Rede, o bloco de esquerda contará com 15 parlamentares a partir de 2027, frente aos 18 eleitos na legislatura iniciada em 2022.
O centro político também sofreu severas perdas. A maior desidratação ocorreu no PSD, que perdeu nove assentos e passará a ter cinco senadores. O PP encolheu para seis cadeiras após a derrota do presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira (PI), nas urnas. O MDB perdeu o assento de Renan Calheiros (AL) e deve registrar oito senadores no total. Em movimento oposto no bloco central, o União Brasil expandiu sua presença, passando de três para cinco representantes.
Fonte: Brasil 247