Alckmin defende diálogo com adversários do 1º turno para “reverter” votos
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou em discurso pronunciado após a divulgação do resultado da apuração do primeiro turno que a campanha eleitoral entra em uma fase decisiva de busca por apoio e conversas com todas as parcelas do eleitorado. Ao projetar a nova etapa da disputa ao lado do presidente Lula (PT), Alckmin defendeu o diálogo com cidadãos que apoiaram outros nomes na fase inicial com o objetivo de reverter votos para a chapa governista.
Durante a declaração, Alckmin lembrou o contexto histórico de criação da etapa decisiva na legislação nacional e destacou a legitimidade da nova consulta popular. “Eu e o presidente Lula fomos constituintes, e foi na Constituição de 1988 que se estabeleceu o segundo turno. Como o Brasil tem pluripartidarismo, ter realmente um governo de maioria absoluta. Então o segundo turno faz parte da Constituição brasileira. Como diz o presidente Lula, a população vai poder votar duas vezes no Lula, no primeiro e no segundo turno. [Quero] agradecer os votos recebidos e dizer, presidente, que estamos com energia total para, a partir de amanhã, fazer campanha pelo segundo turno e falar do futuro”, declarou o vice-presidente.
Alckmin estabeleceu um contraponto direto entre os projetos políticos em disputa, citando mudanças sociais e prioridades de gestão na área da saúde pública. “Nós vivemos uma mudança democrática. Um Brasil mais idoso. Quem pode fazer mais pela saúde? Os negacionistas, que levaram a 700 mil mortes na Covid, ou o governo do presidente Lula, que cuida das pessoas, que prioriza a vida, a saúde da população?”, questionou.
O vice-presidente também abordou os rumos da educação e das políticas públicas de inclusão, criticando diretrizes educacionais defensoras do ensino domiciliar. “Nós vivemos, presidente, um momento de mudança tecnológica. Quem pode fazer mais pela educação? O pessoal do homeschooling, proposta racista dos Estados Unidos, quando a Suprema Corte disse que negros e brancos tínham que estudar na mesma escola [disseram] ‘meu filho não vai para a escola’, ou o presidente Lula, que priorizou creche, escola de tempo integral, instituto federal, Pé-de-Meia, que a prioridade é oportunidade para as pessoas?”, pontuou.
Ao abordar a economia e a justiça social, Alckmin questionou o modelo de tributação e as prioridades do grupo bolsonarista em relação à distribuição de renda e ao papel do Estado. “Quem pode fazer mais no novo governo? O mundo vive uma concentração de renda. Rico fica bilionário, trilionário. Tem uma pessoa que mais dinheiro que o PIB do estado de São Paulo inteirinho. Quem pode promover justiça social? O presidente Lula não tira Imposto de Renda para comprar arma, jetski, barco de luxo. Mas tira do trabalhador, de quem ganha até R$ 5 mil”, criticou.
A defesa das instituições e do regime democrático também teve destaque no discurso, com duras ressalvas às figuras de referência da oposição autoritária. “Quem pode salvar a democracia? O presidente Lula não tem como ídolo o coronel Ustra. Não… Aliás, quem é contra a democracia não deveria nem disputar eleição”, afirmou.
Por fim, o vice-presidente convocou a militância e o eleitorado para a mobilização total nesta nova fase do pleito. “Então no segundo turno é uma nova eleição, e vamos conversar com todas as pessoas, com aqueles que votaram em todos os outros candidatos, até no adversário, para reverter esses votos. Tenho certeza de que nesse acender das luzes dessa nova campanha, rogo a Deus para que uma luz se acenda na consciência de cada cidadão e de cada cidadã. À vitória!”, concluiu Alckmin.
Fonte: Brasil 247