Márcio Chaer, um líder com um coração de guerreiro
Por Mateus Silva Alves — Consultor Jurídico
Quando vi as primeiras mensagens no WhatsApp da ConJur sobre a morte do Márcio, de desorientado, me veio à cabeça uma pergunta do meu lado criança: como pode uma pessoa com um grande coração morrer do coração? Bem, talvez seja por excesso de trabalho extra.
ReproduçãoO Márcio patrocinou minha mudança para São Paulo quando deixei de suportar o jornalismo em Brasília. Me deu trabalho na Dublê, seu pequeno escritório de assessoria de imprensa, e moradia em seu pequeno apartamento nos Jardins. Em seguida, ele abrigou mais dois jornalistas. O sujeito parecia ter um coração de mãe: sempre cabia mais um.
Nessa convivência, me senti parte da família — ele, o Iúri, o Ivã, a Lia e a Diana. Me doeu a morte trágica da doce Diana, como se fosse a de uma filha. Me consolo com a ideia de que ele pode ter reencontrado a Diana, hoje, em alguma outra dimensão. Tomara!
Na Dublê, começamos a conversar sobre a criação da Consultor Jurídico, que se tornou a ConJur. Inicialmente, ele se preocupava com a pequena estrutura e pequena renda da Dublê. Mas, quando eu mencionei que esse era um projeto para dar trabalho para muita gente, no futuro, seus olhos brilharam. O coração falou mais alto.
E fomos à luta, sem desalento nas horas mais complicadas. Para mim, bastou seguir o líder que tinha um coração de guerreiro. Ele nunca fugia de uma luta — nem mesmo de uma briga, se fosse uma exigência da vida. Uma vez, ele enfrentou dois assaltantes. Levou um tiro que lhe furou a mão direita no meio. Bem, eu o ajudei nisso: fiz uns pequenos cones de papel e os coloquei nas pontas de seus dedos para que ele pudesse digitar em seu computador — já no dia seguinte. Ficou engraçado.
Conheci o Márcio em Brasília, por volta de 1983. Eu cobria a área militar pelo Globo e ele, que trabalhava para a Gazeta Mercantil, aparecia por lá de vez em quando. Mais tarde, trabalhamos juntos na sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo.
Alguns anos à frente, já em São Paulo, ele meio que adotou a família que constituí. Nunca nos desligamos desses laços familiares. Hoje meu coração está com o Iúri, o Ivã, a Lia, o Leo e os netinhos que não tive o prazer de conhecer.
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Fonte: Consultor Jurídico