Dilma pode ter profetizado as eleições de 2026
Por Ton Paulo — Jornal Opção

“Nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”. Dita pela ex-presidente Dilma Rousseff, a frase que abre este texto ficou eternizada na história do Brasil… e como um meme. Claro, ela soa engraçada. Mas mesmo cômica, traz mais sentido do que muitos ensaios políticos publicados por aí – e hoje, mais do que nunca, pode ser aplicada ao contexto político do país.
Lula ou Flávio Bolsonaro, o próximo presidente vai ter nas mãos país dividido, radicalizado e nada disposto a aceitar o adversário. A eleição, claro, termina na urna, mas, como de praxe, a guerra política segue a todo vapor.
O Brasil chega a este momento depois de anos de tensão institucional, culminando no 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados por terroristas e vândalos que, meses antes, acampavam diante de quartéis pedindo, pasmem, “intervenção militar”.
A democracia brasileira sobreviveu, mas saiu desse episódio menos… ingênua. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF por crime de golpe de Estado e apontado como líder do núcleo central da trama. Hoje, cumpre pena em regime domiciliar.
Seu filho, Flávio, agora tenta assumir o legado. Se vencer a disputa presidencial, vai governar sob a sombra do passado do pai (sempre). Se perder, vai ter que lidar com uma direita (aquela, radical) que dificilmente desaparecerá junto com sua candidatura. Em qualquer cenário, em qualquer hipótese, a polarização vai seguir com o brasileiro.
Se Lula vencer, o risco de novas manifestações radicais (para não dizer outra coisa) e episódios de violência política é não só possível, como provável. Se Flávio vencer, tampouco haverá motivo pra esperar uma oposição petista dócil e contemplativa.
O próximo governante terá, de qualquer forma, que liderar um país no qual metade dos eleitores, grosso modo, não votou nele. E a oposição terá de descobrir que contestar o governo é legítimo, mas tentar deslegitimar a própria democracia porque o resultado desagradou é outra coisa bem diferente. Dilma acertou sem querer. Lula pode ganhar, Flávio pode ganhar, mas o vencedor leva a faixa presidencial e, também, um país rachado com uma montanha de problemas. O derrotado vai ter milhões de eleitores, redes sociais, lideranças e motivos pra continuar fazendo barulho. E se os dois insistirem em tratar política como guerra de extermínio, o velho meme originado por Dilma vai continuar fazendo sentido.
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Fonte: Jornal Opção