Após fechamento de embaixadas, Polícia Federal inicia apuração sobre possível intervenção externa na eleições

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Por Seu Dinheiro — Seu Dinheiro

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Neste domingo (4), milhões de brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das eleições. O dia de votação foi marcado, além da disputa entre candidatos, pelos desdobramentos de alertas de segurança emitidos por governos estrangeiros nos últimos dias.

Após o fechamento temporário das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália na sexta-feira (2), com alegações de preocupações com a segurança, a Polícia Federal anunciou a abertura de uma apuração preliminar para investigar uma possível interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

Apesar da tensão gerada pelos alertas diplomáticos, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que não foram identificadas ameaças concretas contra representações estrangeiras instaladas no país.

Segundo Rodrigues, a apuração foi iniciada após a Polícia Federal receber uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU).

O caso foi encaminhado à Diretoria de Inteligência da corporação e ainda está em fase inicial. Por isso, não houve a publicação de uma portaria formal de inquérito, embora as diligências já tenham começado.

O pedido da AGU foi motivado por uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, segundo a qual cerca de R$ 5,2 bilhões teriam sido destinados a grupos no Brasil por meio de um programa ligado ao governo dos Estados Unidos.

A suspeita levantada era de uma possível tentativa de influenciar o cenário político brasileiro.

Apesar da iniciativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que não havia provas ou elementos mínimos para justificar a abertura de um inquérito sobre o assunto, segundo apuração do Broadcast.

O que aconteceu com as embaixadas?

A investigação anunciada pela PF ocorre depois de uma série de alertas de segurança emitidos por governos estrangeiros nos dias que antecederam a votação.

Na sexta-feira (2), as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam o atendimento ao público no Brasil. Os dois países citaram apenas “preocupações com a segurança”, sem detalhar quais seriam os riscos ou explicar se a decisão tinha relação com as eleições.

Segundo fontes do governo norte-americano ouvidas pela TV Globo, uma ameaça de bomba teria motivado a medida. Não ficou claro, porém, se o alerta envolvia diretamente a embaixada dos EUA ou outro local.

A embaixada australiana, por sua vez, informou o fechamento da representação em Brasília e orientou cidadãos a evitarem instalações diplomáticas norte-americanas e áreas próximas. Em comunicado, também mencionou o risco global de terrorismo.

Já segundo informações do Estadão, o governo australiano não havia recebido alertas sobre uma ameaça específica e apenas acompanhou a decisão adotada pelos Estados Unidos.

O movimento também se espalhou para outros países. Canadá, Irlanda, Reino Unido e Alemanha divulgaram avisos orientando seus cidadãos a adotarem cautela durante a permanência no Brasil no período eleitoral.

Os comunicados recomendavam atenção redobrada e acompanhamento das orientações das autoridades locais, mas não apontavam ameaças específicas nem riscos concretos ligados ao processo de votação.

PF diz não ter encontrado ameaças concretas

Apesar das especulações geradas pelo fechamento das embaixadas, Rodrigues afirmou neste domingo que a Polícia Federal não encontrou evidências de ameaças reais contra representações diplomáticas no país.

Segundo ele, as informações analisadas até agora não indicam a existência de planos ou ações concretas contra embaixadas estrangeiras.

“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos não indicam nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”, afirmou.

O diretor-geral da PF também procurou desvincular os dois episódios. Segundo ele, a investigação sobre uma eventual interferência estrangeira nas eleições e as apurações relacionadas aos alertas de segurança envolvendo embaixadas são procedimentos distintos.

“São inquéritos separados”, disse Rodrigues, acrescentando que uma eventual conexão entre os casos só poderá ser avaliada caso surjam novos elementos ao longo das investigações.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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Fonte: Seu Dinheiro

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