Presidente do TSE diz que não há indícios de interferência externa nas eleições

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Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

Presidente do TSE diz que não há indícios de interferência externa nas eleições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, afirmou, neste domingo, 4, que os órgãos de monitoramento e inteligência envolvidos no acompanhamento das eleições não identificaram qualquer sinal concreto de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na sede da corte, em Brasília, em meio a questionamentos sobre medidas adotadas por representações diplomáticas estrangeiras nos dias que antecederam a votação.

Segundo o ministro, as equipes técnicas do tribunal e os sistemas de acompanhamento mantidos pela Justiça Eleitoral não registraram evidências de atuação internacional capaz de comprometer a disputa eleitoral. Ele apontou que, nos últimos meses, havia preocupação com possíveis influências externas por meio de plataformas digitais, mas afirmou que a cooperação estabelecida entre o TSE e as empresas do setor contribuiu para reduzir riscos identificados anteriormente.

Nunes Marques também disse que os mecanismos de conformidade adotados pelas plataformas e a adequação às normas brasileiras ajudaram a fortalecer a proteção do ambiente eleitoral. De acordo com ele, até o momento, não foi detectado qualquer elemento que indique interferência estrangeira nas eleições.

O tema ganhou repercussão após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionar a suspensão temporária de serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil a uma possível investigação sobre influência externa no processo eleitoral. A representação apresentada à Justiça Eleitoral sustenta que a decisão da embaixada norte-americana, tomada às vésperas da votação, deveria ser considerada em apurações sobre eventuais ações estrangeiras.

Na sexta-feira, 2, as embaixadas e consulados dos Estados Unidos interromperam atividades presenciais no país. No mesmo período, a Embaixada da Austrália suspendeu o atendimento presencial em Brasília, enquanto Reino Unido, Irlanda e Alemanha divulgaram comunicados de segurança direcionados a seus cidadãos que estão no território brasileiro.

Diretor-geral da Polícia Federal

Antes das declarações do presidente do TSE, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, informou que as investigações conduzidas pela corporação também não encontraram indícios de ameaças contra representações diplomáticas instaladas no Brasil. Segundo ele, a apuração foi iniciada após comunicação encaminhada pela Embaixada dos Estados Unidos às autoridades brasileiras.

A Polícia Federal (PF), como parte das diligências, cumpriu dois mandados de busca e apreensão na sexta-feira dentro de um inquérito que apura um suposto plano contra a representação diplomática norte-americana. Dois investigados foram alvo das medidas autorizadas pela Justiça.

De acordo com Andrei Rodrigues, as informações recebidas foram analisadas pela corporação, que adotou os procedimentos necessários para verificar a existência de riscos reais. Após a execução das medidas judiciais e a coleta de elementos de investigação, a PF concluiu que não foram encontrados fatos concretos capazes de comprovar ameaça efetiva à Embaixada dos Estados Unidos ou a qualquer outra missão diplomática estrangeira no país.

A discussão sobre possível interferência internacional já havia chegado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro. Na ocasião, o Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao ministro Flávio Dino a abertura de um inquérito para investigar supostos episódios de influência estrangeira nas eleições brasileiras.

O pedido defendia que a investigação abrangesse situações envolvendo plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens e serviços que, eventualmente, pudessem ser utilizados para impactar o processo eleitoral. O documento também mencionava fatos que, na avaliação da legenda, mereciam esclarecimento por envolverem eventual financiamento, apoio ou influência externa em candidaturas que disputam a Presidência da República.

Nesse sentido, enquanto as solicitações de investigação seguem em análise, tanto o TSE quanto a PF afirmam não possuir, até o momento, elementos que indiquem interferência estrangeira ou ameaças concretas relacionadas ao pleito em andamento. Conforme o balanço divulgado pelo TSE neste domingo, 4, a votação segue normalmente em todo o país, com substituições pontuais de urnas eletrônicas quando necessário para garantir a continuidade do processo eleitoral.

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Fonte: Jornal Opção

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