Entenda por que parte substantiva do bolsonarismo apoia Daniel e não Wilder para governador

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Por Euler de França Belém — Jornal Opção

Entenda por que parte substantiva do bolsonarismo apoia Daniel e não Wilder para governador

Não se sabe se haverá segundo turno em Goiás. Pode ser que sim e pode ser que não. Todos ficarão sabendo neste domingo, daqui a algumas horas, com a divulgação da contagem dos votos pela Justiça Eleitoral.

Desde já, vale discutir uma questão: quem mostrou ser um agente da renovação e quem se exibiu como vanguarda do atraso?

Um dos editores-executivos do Jornal Opção, João Paulo Alexandre, registrou que, ao menos em parte da campanha, o candidato do PSDB a governador, Marconi Ferreira Perillo Júnior, de 63 anos, falou em “cheque-moradia” e “cheque-reforma”. Cheque: há coisa mais analógica do que isto? Por certo, não há. Vive-se a era do Pix, do digital, da inteligência artificial.

A falta de renovação configura-se na chapa pra deputado federal. Os principais candidatos do PSDB são Professor Alcides e Vovô do Jeep. O parlamentar foi duramente acusado de pedófilo, não por adversários, e sim pelo aliado Felipe Cecílio

Mas há quem ainda esteja vivendo na era da pedra lascada, e não se está falando exclusivamente de Marconi Perillo. Há outras figuras similares, como o senador Wilder Morais, que, quando fala, parece um boneco de ventríloquo. O marqueteiro Marcelo Vitorino “fala” e ele repete, quase sempre de maneira mecânica, num estilo marcha-lenta.

Wilder Morais não é, e sim estar bolsonarista. Já foi marconista e, depois, caiadista | Foto: Bruna Ariadne/Jornal Opção

A respeito de Marconi Perillo e do PSDB há um aspecto que potencializou o desgaste dos candidatos majoritários proporcionas — a falta de renovação.

Marconi Perillo poderia ter disputado mandato de deputado federal. Porém, não quis abrir espaço para a vereadora Aava Santiago, que, sentindo-se esvaziada, deixou o PSDB e se filiou ao PSB.

Aava Santiago seria, se candidata a governadora, um recado de renovação do grupo de Marconi Perillo. Mas optou-se por lançar um candidato que já governou Goiás quatro vezes e é o mais rejeitado dos postulantes.

A falta de renovação também está configurada na chapa para deputado federal. Os principais candidatos do PSDB a deputado federal são Professor Alcides Ribeiro e Vovô do Jeep (mais analógico, impossível). O parlamentar foi duramente acusado de pedófilo, não por adversários, e sim pelo aliado Felipe Cecílio, igualmente candidato à Câmara dos Deputados.

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Marconi Perillo perdeu o PT e não conquistou o bolsonarismo | Foto: Divulgação do PSDB

Para se defender, Professor Alcides propôs “capar” pedófilos. Até a linguagem revela a senectude mental do tucanato em Goiás.

Do ponto de tático-estratégico, o erro mais grave do ex-governador Marconi Perillo talvez tenha sido não se aliar com o PT de Lula da Silva, Adriana Accorsi, Rubens Otoni, Kátia Maria e Luis Cesar Bueno. O tucano caminhou isolado na campanha

Para agravar a situação, o próprio Marconi Perillo, divulgada a notícia nos jornais, teve de admitir que recebeu 14,5 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O ex-governador disse que fez consultoria, mas não explicou que tipo de consultoria pode ter dado ao ex-banqueiro dos bilhões e do sexo.

Do ponto de tático-estratégico, o erro mais grave de Marconi Perillo talvez tenha sido não se aliar com o PT de Lula da Silva, Adriana Accorsi, Rubens Otoni, Kátia Maria e Luis Cesar Bueno.

O PT estava pronto para acolher Marconi Perillo. Porém, acreditando que “perderia” votos do bolsonarismo — ora, como perder o que não se tem? —, o tucano rejeitou o poderio de Lula da Silva.

Como dizem, deu “rúim” (com acento mesmo). O tucano-chefe perdeu o PT e não conquistou o bolsonarismo.

Flávio Bolsonaro enviou um recado: se Wilder Morais, ele não tem inimigos em Goiás | Foto: Agência Senado

Wilder Pedro de Morais, de 58 anos, é uma nulidade, um nefelibata, um artista da preguiça? Não é bem assim. Ninguém constrói um império econômico-financeiro se não tiver tino para os negócios.

Talvez o senador Wilder Morais seja adequado para gerir empresas privadas — ainda que no mercado o que se diz é que não gerencia mais seus negócios, teria passado a operação para sócios e executivos — e inadequado para o setor público

Candidato a governador pelo PL, o empresário é sócio da Pedreira Caldas, da Aurora Participações e Investimentos, da CentralMix Concretos e Artefatos, da Orca Engenharia Ltda., da Orca Construtora, da Brasnorte Mineração, da Petras Participações e Investimentos, entre outras.

Não há a menor dúvida: trata-se de um indivíduo bem-sucedido no mundo empresarial, com bens (talvez sub)avaliados, de acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral, de 65,1 milhões de reais.

Mas uma coisa é o homem público, o ser político, e o outro o ser privado. Nem sempre o espírito empresarial é adequado à atividade pública. O objetivo do gestor público — do governo — não é conquistar o lucro financeiro, e sim a satisfação das necessidades da sociedade. Por isso, os governos investem a fundo perdido — e o termo “perdido” é inadequado —, quer dizer, às vezes tendo “prejuízo”. O lucro social é diverso do lucro financeiro privado.

Luis Cesar Bueno: sua missão foi criar um palanque para Lula da Silva em Goiás| Foto: Leoiran/Jornal Opção

Talvez Wilder Morais seja adequado para gerir empresas privadas — ainda que no mercado o que se diz é que não gerencia mais seus negócios, teria passado a operação para sócios e executivos — e inadequado para o setor público.

O sociólogo alemão Max Weber escreveu a respeito da necessidade de os políticos profissionais, ou seja, daqueles que se dedicam com afinco e descortino ao bem público. Entre eles podem ser citados Lula da Silva, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, Irapuan Costa Junior, Iris Rezende, Maguito Vilela, Henrique Santillo, Nion Albernaz e, sim, Marconi Perillo (apesar dos percalços de seus dois últimos governos — os da hegemonia dos empreiteiros).

Embora não seja corrupto, Wilder Morais é da esfera de Fernando Collor e Jair Bolsonaro — políticos pouco talhados para a coisa pública. São praticamente outsiders — o primeiro menos e os dois últimos mais.

O bolsonarismo está, em larga medida, com Daniel Vilela. Principal prefeito do PL em Goiás, Márcio Corrêa é um dos articuladores de sua campanha. O senador Wilder Morais tentou expulsá-lo e não conseguiu o apoio de ninguém para fazê-lo

Do ponto de vista estritamente político-eleitoral, Wilder Morais adotou uma tática arriscada. Concentrou toda sua energia em surfar na onda bolsonarista. Deu certo? Não se sabe. É preciso esperar a contagem dos votos.

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Márcio Correa: prefeito de Anápolis é do PL bolsonarista e apoia Daniel Vilela | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

A rigor, o bolsonarismo em Goiás está, em larga medida, com o governador Daniel Elias Carvalho Vilela, de 42 anos. O principal prefeito do PL em Goiás é Márcio Corrêa, de Anápolis. O gestor municipal é um dos articuladores da campanha do emedebista. Wilder Morais tentou expulsá-lo e não conseguiu o apoio de ninguém para fazê-lo. O deputado federal Gustavo Gayer e o vereador Major Vitor Hugo, ambos do círculo íntimo dos Bolsonaros, o contestaram com presteza. O senador teve de recuar.

O prefeito de Novo Gama, o popularíssimo Carlinhos do Mangão, é filiado ao PL e está engajado na campanha de Daniel Vilela.

De resto, pode-se sugerir que Wilder Morais tem o comando da sigla PL, mas não tem o mais importante —  o apoio daqueles que fazem e organizam o partido em todo o Estado. (Vale lembrar que, na sua recente visita a Goiânia, Flávio Bolsonaro disse que não tem inimigos em Goiás. É um recado duro para o senador — que talvez tenha ampliado seu número de adversários e, inclusive, inimigos.)

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Carlinhos do Mangão: principal prefeito do PL no Entorno do DF apoia Daniel Vilela | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Talvez seja possível concluir que Wilder Morais não é, e sim estar bolsonarista. Assim como já foi marconista e, depois, caiadista. Talvez se torne tarcisista em 2030. Um direito dele, claro, ser uma espécie de saltimbanco.

Uma vitória do emedebista Daniel Vilela reabrirá a política do Estado de Goiás. Se for reeleito, ele não poderá ser candidato no pleito de 2030. Então, abre-se uma larga avenida, por assim dizer, para outros políticos disputarem o governo

O governador Daniel Vilela é, como o pai, Maguito Vilela, um político nato, da vertente dos profissionais, no sentido definido por Max Weber. É diplomático, dialoga com os aliados e, inclusive, com os adversários. E sabe falar ao cérebro e ao coração dos goianos, porque é um político do presente, contemporâneo de todos.

Há seis meses no governo, Daniel Vilela deu continuidade à gestão bem avaliada de Ronaldo Caiado, do PSD. Sua gestão é, igualmente, bem avaliada.

Uma pesquisadora diz que, na disputa nacional, o quadro é mais de oposição do que de continuidade. Em Goiás, pelo contrário, o quadro é de continuidade, não de oposição.

Porque o grupo organizado por Ronaldo Caiado e Daniel Vilela não tem desgaste considerável — o desgaste das oposições é muito maior. De acordo com as pesquisas de intenção de voto, os eleitores querem continuidade, notadamente na área de segurança, educação e em termos de rede de proteção social.

No poder, além de ter dado continuidade às ações iniciadas e consolidadas por Ronaldo Caiado, Daniel Vilela tem procurado inovar; por exemplo, no campo de tecnologia. Quem o conhece diz que Goiás dará um salto tecnológico — já iniciado — na próxima gestão, se for reeleito.

A segurança deverá melhorar ainda mais com o uso de IA. Não haverá descuido com o combate direto ao crime, mas a tecnologia será decisiva para aumentar a eficiência e, também, a prevenção.

Há um aspecto pouco citado nas análises. Uma vitória de Daniel Vilela “reabrirá” a política de Goiás. Se reeleito, não poderá ser candidato em 2030. Então, abre-se uma avenida, por assim dizer, para outros políticos disputarem o governo.

Fala-se que Ronaldo Caiado poderá ser candidato a governador em 2030. Se for, tem chance de ser eleito — dados o histórico positivo e sua energia.

Porém, se Ronaldo Caiado não disputar o governo, o espaço estará aberto para vários políticos. Uma listagem com alguns deles: Aava Santiago, do PSB, Adriana Accorsi, do PT, Bruno Peixoto, do União Brasil, Diego Sorgatto, do União Brasil, Fabrício Rosa, do PT, Fred Rodrigues, do PL, Sandro Mabel, do União Brasil, Gustavo Gayer, do PL, Gustavo Mendanha, do PRD, Gustavo Sebba, do PSDB, Issy Quinan, do MDB, José Délio, do União Brasil, José Machado, do PSDB, Leandro Vilela, do MDB, Lincoln Tejota, do União Brasil, Lucas do Vale, do PSD, Major Vitor Hugo, do PL, Márcio Corrêa, do PL, Paulo Vitor, do União Brasil, Pedro Gonçalves Machado, do MDB, Renato Ribeiro, do PL, Romário Policarpo, do Cidadania, Virmondes Cruvinel, do União Brasil, Flávia Morais, do MDB, Silvye Alves, do União Brasil, e Wilde Cambão, do União Brasil. Eleita senadora, Gracinha Caiado poderá ser outra aposta para 2030.

O candidato do PT, Luis Cesar Bueno, cumpriu sua missão, com certa dignidade: gestou um palanque para o presidente Lula da Silva em Goiás. Faltou confrontar, um pouco mais, Wilder Morais.

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Fonte: Jornal Opção

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