Ouçam Lula: estamos em guerra contra a barbárie e o crime organizado da extrema direita

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Por Moisés Mendes — Brasil 247

Na véspera da eleição, enquanto Lula definia Flávio Bolsonaro como representante da barbárie e integrante de quadrilhas chefiadas por líderes da extrema direita, a Folha de S. Paulo publicava na capa uma chamada alienante.

Esta foi a frase de Lula na caminhada do sábado em São Paulo: “Vamos à urna amanhã com muita tranquilidade, sabendo o que está em jogo. De um lado, a democracia e a soberania. Do outro lado, a barbárie e a corrupção. Estamos trabalhando contra chefes de quadrilha, contra o crime organizado”.

E este é o começo do texto publicado pela Folha: “Flávio Bolsonaro agrada à Faria Lima porque o mercado e alguns setores do empresariado acreditam que o senador fará um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas caso seja eleito”.

É como se, durante a guerra ao nazismo, por uma combinação de colaboracionismo, alienação e covardia, alguém avaliasse, como de fato avaliavam, os benefícios propiciados por Hitler sob o ponto de vista da elite financeira e empresarial.

No meio de uma guerra em que a ameaça real é o retorno do fascismo ao poder, a Folha produz devaneios sobre a possível política fiscal do sujeito que os próprios jornalões, e não só Lula, denunciam por ligações com milícias.

Flávio Bolsonaro é a barbárie, como chefe de facções da extrema direita, e a Folha, mesmo sabendo, faz o que é frequente em outros veículos das corporações de mídia. Reflete sobre o que pode vir aí, se o filho de Bolsonaro for eleito. O que a barbárie pode nos oferecer.

Sempre a partir do que pensa a Faria Lima. Com uma ressalva feita pelo próprio jornal: nada do que ele fez até aqui sustenta a expectativa de ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas.

Os jornalões divagam sobre contabilidade enquanto pelo menos metade do Brasil sabe que essa é, nesse momento, uma pauta periférica, de interesse dos ricos rentistas e das fintechs acumpliciadas com o PCC nessa mesma Faria Lima.

Enquanto milhões de brasileiros tentam evitar a simulação de cenários com Flávio eleito, a Folha, o Globo e o Estadão se divertem com as contas públicas sob controle do fascismo.

Em meio a ameaças contra inimigos, o que inclui até o Itamaraty, contra os pobres, os gays, os beneficiários de programas sociais, os professores e os estudantes de universidades públicas, a Folha traz na capa a pauta do arcabouço fiscal que estaria na cabeça de Flávio Bolsonaro.

Enquanto milhões evitam imaginar e dizer em voz alta o que seria um novo governo fascista, por tudo que representaria de terror contra os povos das cidades e os povos das florestas, a Folha oferece interrogações sobre contas públicas. Flávio Bolsonaro não sabe nada de contas públicas, não tem nem o seu Paulo Guedes, como o pai dele teve, e a Folha finge que o provoca sobre arrocho fiscal.

Enquanto o Brasil tenta lidar com os medos representados pelas ameaças milicianas, com avisos cifrados ou explícitos sobre quem deve ficar vivo e quem deve morrer, a elite pensante das corporações de mídia oferece a alienação das contas públicas.

Vamos decidir no domingo entre democracia e barbárie, na definição que não é apenas de Lula, e a Folha e seus colunistas fazem as contas sobre o tamanho ideal do déficit público sob o rigor fiscal de Flávio. E a partir das demandas e orientações da Faria Lima tomada pelo crime organizado.

É mais do que passar pano; é deixar-se subjugar pelos medos das facções que planejam retornar ao governo. A chamada da Folha, que sintetiza todas as chamadas nessa linha reproduzidas pela grande imprensa, é o resumo do Brasil que alienou também seus jornais, os mesmos que um dia lutaram pela democracia.

Jornais acovardados intensificam e aprofundam cumplicidades não só com a velha direita antilulista, mas com a extrema direita das facções bolsonaristas. A pauta fiscal alienadora, numa hora dessas, é parte do discurso da barbárie permanente da Faria Lima e do fascismo bolsonarista.

Fonte: Brasil 247

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