Toffoli: “Márcio Chaer foi um defensor da democracia e das liberdades constitucionais da comunicação”
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou neste sábado (3) uma nota de pesar pela morte do jornalista Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico (ConJur), em que destacou sua defesa da democracia, das instituições e das liberdades constitucionais da comunicação.
“O jornalista Márcio Chaer, falecido no dia de hoje, foi um homem de bem, um amigo das instituições jurídicas brasileiras, um defensor da democracia e da dignidade das liberdades constitucionais da comunicação”, afirmou Toffoli.
O ministro também ressaltou a trajetória profissional construída por Chaer antes mesmo da criação do ConJur e sua passagem por importantes veículos da imprensa brasileira.
“Em sua trajetória, iniciada nos principais órgãos jornalísticos brasileiros dos anos 1970-1980, construiu uma sólida reputação profissional”, declarou.
Pioneirismo no jornalismo jurídico
Para Toffoli, a fundação do Consultor Jurídico representou uma inovação na própria história da imprensa brasileira.
“Com a fundação da revista Consultor Jurídico, escreveu uma página pioneira na imprensa ao criar um novo objeto para a Comunicação Social: o jornalismo setorial especializado no sistema de justiça”, afirmou.
Fundado em 1997, o ConJur tornou-se uma publicação especializada na cobertura do Poder Judiciário, do Ministério Público, da advocacia e do Direito. Ao longo dos anos, consolidou-se pelo acompanhamento sistemático de decisões, teses e tendências da jurisprudência brasileira.
O projeto alcançou influência singular no próprio sistema de Justiça. O ConJur tornou-se o veículo mais citado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, além de construir um vasto acervo de textos sobre o universo jurídico brasileiro.
“Um amigo certo das horas incertas”
A manifestação de Toffoli ganhou um caráter especialmente pessoal quando o ministro falou de sua relação com Chaer.
“Pessoalmente, perco um amigo certo das horas incertas, uma pessoa leal e íntegra, mas que nunca desertou de sua vocação e dos valores do jornalismo ético”, afirmou.
A frase sintetiza uma característica destacada também em outras homenagens feitas após a morte do jornalista: a capacidade de Chaer de construir relações pessoais duradouras sem abandonar sua independência profissional e suas convicções sobre o papel do jornalismo.
Ao longo de quase três décadas à frente do ConJur, Chaer também marcou posição em momentos decisivos da vida institucional brasileira. A publicação adotou, por exemplo, uma postura crítica em relação aos métodos da Operação Lava Jato e publicou reportagens apontando abusos e inconsistências em investigações quando a operação ainda desfrutava de amplo apoio público.
“Em tempos como os atuais, a perda é ainda mais significativa”
Toffoli também relacionou a importância de Chaer à defesa do jornalismo e das instituições democráticas.
“Em tempos como os atuais, a perda de Márcio Chaer é ainda mais significativa”, afirmou.
O ministro encerrou sua nota prestando solidariedade à família do jornalista.
“Aos familiares, meus sinceros pêsames, especialmente ao seu filho Léo.”
A homenagem de Dias Toffoli se soma às manifestações de integrantes do Supremo e de outras instituições do sistema de Justiça pela morte do fundador do ConJur.
Para Toffoli, o legado de Márcio Chaer está ligado não apenas à construção de um dos mais influentes veículos jurídicos brasileiros, mas também à própria criação e consolidação de um campo especializado do jornalismo nacional: a cobertura permanente, profissional e aprofundada do sistema de Justiça.
Fonte: Brasil 247