Domingo é Lula para salvar o Brasil
Por Pedro Alcântara — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
Professor, cientista político e vice-presidente estadual do PT em Pernambuco.
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Este domingo (4) definirá o futuro do Brasil. De um lado, um líder histórico da esquerda, com apoio de setores progressistas e ampla base popular. Do outro, um personagem menor da vida brasileira, alçado à condição de candidato competitivo por representar setores reacionários e abertamente entreguistas, com apelo popular. Lula e Flávio Bolsonaro representam não apenas dois caminhos distintos.
A vitória de um deles pode representar a derrocada do país, num contexto mundial de avanço de projetos neocoloniais. Votar em Lula no domingo é muito mais do que escolher entre esquerda e direita. É escolher salvar o Brasil de uma tragédia histórica, que pode deixar marcas profundas por décadas.
O adversário, filho de Bolsonaro, não será presidente, mas apenas um administrador de colônia, entregando nosso futuro nas mãos de Trump, em troca da salvação de sua própria família, a começar por seu pai, preso por tentativa de golpe de Estado.
E não há outra alternativa. Os candidatos à esquerda de Lula não representam sequer um acúmulo de forças para o futuro, pois não conseguiram expressão eleitoral mínima. Ainda assim seguem sendo uma escolha legítima, porém, uma escolha que minimiza graves riscos.
São três os riscos iminentes que corremos caso a família Bolsonaro volte ao poder.
Em primeiro lugar, o risco da perda de autonomia do Brasil sobre seu próprio destino. O cenário mundial atual aponta para a radicalização do projeto imperial dos EUA em sua luta para conter a China. Nesse contexto, manter a América Latina sob rígido controle estadunidense é primordial para o império. Além disso, os EUA possuem hoje o líder mundial da extrema direita, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro.
Uma vitória dessa família representaria não só a entrega do Brasil, das nossas riquezas e do nosso futuro nas mãos dos EUA, sem possibilidade de mediação, mas também o alinhamento do grupo dirigente do país ao programa de expansão do neofascismo no mundo. Sem Lula, desaparecem as margens de negociação e o país se transforma numa quase colônia do projeto imperial trumpista.
Em segundo lugar, teríamos um grave recuo nas políticas sociais, que bem ou mal impedem uma profunda crise social no país. Os bolsonaros já acenam para a retirada da obrigatoriedade do piso constitucional da educação e da saúde. São contra as regulamentações no mundo do trabalho, como o fim da escala 6×1 e a política de valorização do salário mínimo.
Eles promoverão novamente um desmonte do sistema de proteção social e cessarão qualquer projeto de recuperação da indústria e do emprego qualificado no Brasil. Isso num país com profundas desigualdades sociais, onde mais de 60% da população vive com menos de um salário mínimo. Governarão para os interesses de fora do Brasil, mantendo os privilégios da elite financeira e do agro num nível que pode levar a um grave colapso social, cujo ensaio já vimos na pandemia.
Em terceiro lugar, estaríamos diante de um sério risco de volta do autoritarismo de Estado em níveis próximos a autocracias. Temos visto no mundo que quando projetos de extrema direita voltam ao poder após derrotas eleitorais anteriores, valendo-se da frustração popular, buscam avançar sobre todas as instituições, sobretudo o judiciário.
Corremos o risco de aprofundarmos um estado policialesco, governado com aparatos de vigilância estadunidense, com líderes políticos locais sustentados em discursos religiosos reacionários e com liberdade total para elites financeiras pouco preocupadas com o cenário interno no país. Estariam dadas as condições para um Estado autoritário contemporâneo, com uma fachada de legalidade e um forte aparato de coação.
Como se vê, não é uma eleição sobre projetos de país. É uma eleição sobre entregar ou salvar o Brasil. Os liberais podem torcer o nariz para as ações de Lula na economia, mas perderão suas instituições com os Bolsonaro. A esquerda radical pode discordar do arcabouço fiscal, mas verá ainda mais austeridade e o avanço autoritário sobre as lideranças comunistas no país. Votar em Lula é escolher não jogar o Brasil no abismo.
Aos indecisos sem coloração ideológica é preciso dizer que a volta dos bolsonaros, com retaguarda de Trump e essa veia autoritária da extrema direita, tornará o Estado mais corrupto, menos transparente e com poder quase total ao bolsonarismo. Além disso, eles já demonstraram fartamente que não há ali nenhum projeto consistente para a educação no país, não há responsabilidade com a saúde pública, haja vista a tragédia que foi a gestão da Covid-19, e não se pode acreditar que uma família envolvida com a milícia resolva o problema da segurança no país.
Aos radicais é preciso lembrar a história. As eleições burguesas podem não garantir a vitória total sobre o fascismo, mas tem potencial para, em caso de derrota, dar a eles um poder institucional-legal que sempre é usado para aprofundar os planos do imperialismo, do capitalismo — sobretudo em países periféricos como o nosso — e do autoritarismo sobre as camadas populares e sobre a resistência à esquerda.
O voto em Lula não é uma rendição à “política burguesa”, mas uma escolha tática, num período histórico específico, para frustrar os planos do imperialismo dos EUA e seguir acumulando forças para um enfrentamento mais definitivo.
Os liberais devem estar cientes que as instituições do Estado liberal estão sob ataque exatamente pela ascensão do neofacismo. Se com Lula há um ambiente de disputa em torno da agenda política e econômica do Brasil, com uma volta dos bolsonaros apoiada pelo líder extremista do mundo, Trump, haverá apenas o interesse de elites econômicas dinheristas e os interesses da família de milicianos. Passarão por cima das instituições e deixarão uma marca profunda no arranjo institucional brasileiro, que levará décadas para ser recuperado. Trata-se do risco de caminharmos rumo à autocracia.
A alternativa a esse desastre é Lula. E podemos evitar o desastre agora, já no domingo, ou passarmos mais três semanas olhando para o abismo. Não precisamos adiar o que há urgência em ser feito: derrotar o neofascismo brasileiro. Somente Lula pode nos garantir isso.
Como dizia o velho Brizola: vamos juntos pronunciar um “NÃO” rotundo aos fascistas. Um “não” aos que querem acabar com o sonho de um país que, com seus acertos e defeitos, escolheu fazer-se a si mesmo, construir aquilo que pode ser — e que será.
Não faz sentido esperar. O voto em Lula é necessário e urgente. É um voto que valerá por décadas. É agora e é para já! Domingo é dia de Lula para salvar o Brasil!
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
Fonte: Brasil de Fato