Lula explica sua diferença em relação aos adversários: “gosto de gente”

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O presidente Lula resumiu em poucas palavras o que considera ser uma das características centrais de sua trajetória política: “Eu gosto do povo. Eu gosto de gente”. A declaração foi feita durante a entrevista concedida ao apresentador Igor Coelho, o Igor 3K, no Flow Podcast, na noite de quinta-feira (1º), na reta final da campanha presidencial.

A conversa alcançou mais de 1,6 milhão de espectadores simultâneos, segundo registros publicados sobre a transmissão, colocando Lula diante de uma audiência digital de grandes proporções justamente no horário em que estava previsto o debate da TV Globo, posteriormente cancelado.

Ao longo da entrevista, Lula buscou explicar as razões pelas quais considera sua trajetória diferente da de seus adversários. O presidente associou sua visão política às experiências pessoais de pobreza, fome e dificuldades enfrentadas antes de chegar à Presidência da República.

“Eu gosto do povo. Eu gosto de gente”, afirmou. Lula disse ainda reconhecer uma dívida com os brasileiros mais pobres que, ao longo de sua trajetória, depositaram confiança em seu projeto político.

Lula se apresenta como barreira à extrema direita

Na entrevista, Lula também apresentou sua candidatura como um obstáculo à volta da extrema direita ao poder. “Se não fosse eu para enfrentar esses fascistas, eles ganhariam as eleições com facilidade”, declarou o presidente.

Lula relacionou sua permanência na vida política ao enfrentamento do bolsonarismo e afirmou considerar necessário impedir o retorno desse campo político ao comando do país. A declaração ocorre às vésperas do primeiro turno, marcado para domingo (4).

O presidente também procurou defender a coerência de sua trajetória. Segundo Lula, os princípios que orientam seu comportamento político foram construídos muito antes de chegar ao Palácio do Planalto.

Ao abordar corrupção e sua relação com empresários e agentes privados, Lula desafiou qualquer pessoa que tenha convivido com ele a afirmar que conseguiu lhe oferecer propina. “Na minha está escrito: nem venha, porque eu não aceito”, afirmou, ao descrever a postura que diz ter mantido ao longo da vida pública.

Inclusão social como centro do projeto

Lula atribuiu parte da resistência histórica aos governos petistas às políticas que ampliaram o acesso das camadas populares a espaços antes restritos a parcelas mais ricas da sociedade.

O presidente mencionou particularmente a entrada de jovens pobres e negros nas universidades, além do reconhecimento de direitos das populações indígenas e quilombolas.

Em sua interpretação, mudanças desse tipo alteraram estruturas sociais profundamente enraizadas no Brasil e ajudaram a produzir reações contra os governos liderados pelo PT.

Lula defendeu que a função do Estado é criar condições para que brasileiros que nasceram pobres tenham acesso à educação, emprego, renda e oportunidades capazes de mudar suas trajetórias.

“Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”

A distribuição de renda ocupou uma parte importante da conversa. Lula voltou a defender uma ideia que costuma apresentar como fundamento de sua visão econômica: elevar a renda dos trabalhadores também beneficia empresários e movimenta a economia.

“Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, resumiu.

Segundo o presidente, quando um trabalhador recebe mais, tende a consumir mais. O aumento do consumo estimula o comércio, que faz novas encomendas à indústria; a indústria amplia a produção e pode contratar trabalhadores, criando um ciclo de expansão econômica.

Lula argumentou que políticas sociais, valorização salarial e crescimento econômico não devem ser tratados como objetivos contraditórios. Para ele, o aumento do poder de compra das camadas de menor renda pode funcionar como motor do mercado interno.

Crédito precisa ser revisto

Outro tema abordado foi o endividamento das famílias brasileiras. Lula criticou tanto os juros elevados quanto práticas de concessão de crédito que permitem que consumidores assumam compromissos financeiros incompatíveis com sua renda.

O presidente afirmou que será necessário “moralizar um pouco essa questão de crédito”, estabelecendo condições mais responsáveis para sua oferta.

Lula defendeu que o sistema financeiro avalie adequadamente a capacidade de pagamento dos consumidores antes de conceder cartões e ampliar limites. O objetivo declarado é evitar que o acesso ao crédito se transforme em uma armadilha de endividamento.

O tema está diretamente relacionado a uma das iniciativas que o governo colocou no centro de sua agenda econômica nesta reta final: uma nova etapa do Desenrola Brasil.

Desenrola 3.0 mira estoque de dívidas

O Desenrola 3.0 prevê um novo mecanismo para atacar o estoque de dívidas de pessoas físicas. O governo pretende permitir a aquisição de carteiras de débitos inadimplidos para posteriormente oferecer condições de renegociação aos consumidores.

A proposta divulgada pelo governo contempla dívidas antigas e mecanismos de compra de carteiras com grandes descontos. A expectativa apresentada na entrevista é que isso permita ao consumidor quitar sua dívida pagando apenas uma fração do valor acumulado.

O governo também pretende realizar um primeiro leilão como projeto-piloto, buscando testar o funcionamento do modelo antes de uma expansão da iniciativa.

A medida se insere na estratégia defendida por Lula de recuperar a capacidade de consumo das famílias endividadas e permitir que milhões de brasileiros retornem ao mercado de crédito.

Política como relação com as pessoas

Ao reunir numa mesma conversa sua infância pobre, educação, distribuição de renda, crédito, inclusão universitária e enfrentamento à extrema direita, Lula procurou apresentar uma explicação para a longevidade de sua relação com uma parcela expressiva da população brasileira.

Mais do que uma formulação econômica, o presidente colocou essa relação no terreno pessoal.

“Eu gosto do povo. Eu gosto de gente.”

A frase acabou funcionando como uma síntese da mensagem que Lula buscou transmitir durante quase duas horas de conversa no Flow: a de que sua experiência de vida e sua identificação com os brasileiros de menor renda moldaram tanto sua visão de país quanto as políticas que defende para um eventual novo mandato.

Fonte: Brasil 247

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