PF se prepara para enviar a Fachin material do Master que cita ministros do STF
Por Maiara Marinho — Carta Capital
Menu
As menções a magistrados ocorrem desde que o caso chegou na Corte
A Polícia Federal deve se reunir em breve com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para entregar de um material sobre os achados da corporação que citam ministros da Corte. Segundo apurou CartaCapital, a PF não pretende se manifestar a favor ou contra a abertura de um procedimento.
Em vez disso, o relatório se restringirá a abordar o que já foi encontrado em alguns aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Caberá à presidência do STF autorizar ou não o início de uma investigação.
Interlocutores de Fachin, ouvidos sob reserva, defendem que o presidente deve seguir critérios técnicos na análise do material. O ministro tem tentando emplacar, desde o início de sua gestão, um Código de Ética, com o objetivo de impor freios nos ministros a fim de evitar que interesses individuais dos magistrados respinguem na instituição.
As menções a ministros no processo do Master ocorrem desde que o caso chegou ao Supremo. O primeiro magistrado escolhido para relatar o caso, Dias Toffoli, teve pedido de suspensão protocolado pela PF à Fachin devido a suspeitas de que o ministro seria um beneficiário direto de pagamentos feitos por Vorcaro a um empreendimento seu.
Embora tenha aberto um procedimento para dar início ao trâmite em decorrência de relatório da polícia, Fachin optou, por fim, se reunir com os demais colegas e decidir, a portas fechadas, arquivar a denúncia contra Toffoli, mas retirá-lo da relatoria do processo.
Cerca de sete meses depois, revelações envolvendo Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux apontam que o ex-banqueiro tentou se aproximar também de magistrados da Suprema Corte.
Em depoimento ao gabinete de Mendonça, quando o ministro ainda era relator do Master após a saída de Toffoli, Vorcaro afirmou que para enfrentar as supostas retaliações, precisou construir um “sistema para me proteger”, no entanto, “de repente, todo esse sistema se virou contra mim”, disse no depoimento.
“Essas medidas de defesa que eu fiz, doutor, elas se traduziram em relações e relacionamento com pessoas relevantes, porque eu tinha medo das retaliações que poderiam acontecer”, reforçou na ocasião.
Atualmente, o caso Master está com Fachin, que avocou para si o processo após Moraes pedir que Mendonça fosse investigado por suposta intervenção indevida no trabalho da Polícia Federal, denúncia corroborada pela corporação, que pediu à Advocacia-Geral da União a abertura de uma ação junto ao Supremo para investigar a conduta do magistrado.
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Desenvolvido por OKN Technology Agency
Fonte: Carta Capital