Pesquisadores rastreiam as Devil’s Arrows até uma área a 18 km de distância e descobrem que construtores pré-históricos transportaram pedras de 25 toneladas
Por Joaquim Luppi Fernandes — Catraca Livre
O mistério sobre monumentos ancestrais ganha uma revelação fascinante no norte britânico. Grandes estruturas antigas desafiaram o tempo e guardavam segredos sobre seu deslocamento colossal. Recentes análises comprovam que blocos de vinte e cinco toneladas viajaram distâncias surpreendentes antes de formarem alinhamentos impressionantes.
O que são os monólitos de Devil’s Arrows?
Localizados perto de Boroughbridge em Yorkshire, esses monólitos compõem uma das mais altas fileiras erguidas no território britânico. Erguidos durante o Neolítico, os três pilares remanescentes chegam a quase sete metros de altura, exibindo superfícies intensamente marcadas pela passagem do tempo.
Registros antigos indicam que o alinhamento possuía originalmente mais pedras verticais, despertando curiosidade contínua sobre sua construção. Cada bloco colossal é composto de arenito Millstone Grit, cuja natureza geológica intrigou especialistas por séculos devido à ausência dessa rocha no local imediato.
Como os pesquisadores identificaram a origem das pedras?
Cientistas da Curtin University e da University of York aplicaram métodos modernos para analisar as características dos monumentos. Através da composição de minerais como zircão e apatita, os especialistas criaram uma assinatura química precisa sem danificar as estruturas milenares.
Os dados obtidos apontaram conclusivamente para Brimham Rocks, uma formação rochosa situada a dezoito quilômetros a oeste. Esse cruzamento detalhado descartou o transporte natural por geleiras, confirmando que grupos humanos transportaram intencionalmente os enormes blocos até o alinhamento final.
Abaixo, um vídeo do canal Curtin University no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
Por que a distância percorrida pelas rochas surpreende?
Mover monólitos com peso superior a vinte e cinco toneladas por quase vinte quilômetros representou um feito logístico extraordinário. As comunidades antigas precisaram coordenar dezenas de trabalhadores, superando desníveis naturais do terreno com técnicas refinadas de tração e suporte.
Fontes alternativas de arenito estavam situadas em distâncias sensivelmente menores, tornando essa escolha ainda mais intrigante. A decisão consciente de buscar materiais em um local específico sugere motivações simbólicas profundas, superando a simples conveniência prática durante o processo de extração.
Quais evidências comprovam o planejamento dessas comunidades?
A execução de uma obra monumental dessa escala exigia alto nível de planejamento coletivo e liderança estabelecida. Comunidades antigas precisavam garantir rotas acessíveis, fabricar cordas resistentes e organizar o sustento contínuo de equipes numerosas dedicadas a essa operação.
Pesquisas indicam que trenós de madeira e roletes vegetais podem ter facilitado o deslizamento das peças monumentais por terra. A integração de rios da região também ofereceu caminhos viáveis, evidenciando o domínio prático sobre os recursos naturais disponíveis naquela época.
Diversos fatores demonstram a sofisticação operacional observada nesse projeto antigo:
- Seleção deliberada de rochas em pedreiras distantes da região.
- Mobilização organizada de força de trabalho para tração contínua.
- Aplicação engenhosa de troncos rolantes e estruturas de madeira.
Como uma das pedras perdidas virou cruz medieval?
O estudo revelou ainda um desfecho surpreendente para um dos monólitos que havia desaparecido do alinhamento original britânico. Fragmentos esculpidos da Aldborough Battle Cross apresentaram a mesma assinatura mineral das Devil’s Arrows, confirmando que a cruz medieval utilizou rocha do antigo monumento.
Essa redescoberta conecta milênios de história em Yorkshire, mostrando como materiais sagrados foram ressignificados por diferentes civilizações. O aproveitamento da quarta pedra evidencia o valor duradouro desses megálitos, que continuam revelando segredos fundamentais sobre a engenhosidade humana através das eras.
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Fonte: Catraca Livre