Ao fechar consulados, EUA tentam criar narrativa de instabilidade na eleição brasileira
Por Rodrigo Martins — Carta Capital
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A movimentação é mais um “factoide” criado pelo governo Trump para interferir no processo eleitoral, avaliam autoridades nacionais
A decisão da embaixada dos Estados Unidos de fechar seus postos diplomáticos no Brasil amplia a tensão em relação ao destino da eleição brasileira, neste fim de semana. O gesto foi considerado por parte do alto escalão em Brasília como mais um sinal da tentativa de ingerência no processo político nacional.
Ao sinalizar ao mundo que teme violência, o governo norte-americano contribui de forma importante para se criar uma narrativa de que o processo eleitoral no País está marcado por uma instabilidade. Nos últimos meses, Washington deu indicações contraditórias sobre a situação das urnas e sobre o processo democrático no Brasil.
O comportamento dos líderes no Salão Oval também passou a ser uma preocupação interna nos EUA. Em cartas enviadas ao secretário de Estado Marco Rubio, senadores e deputados democratas alertaram justamente sobre a necessidade de que o governo de Donald Trump evite qualquer ingerência no processo de escolha política no Brasil.
Nesses documentos, o grupo de oposição ainda cobrou uma resposta do Departamento de Estado: a Casa Branca irá ou não reconhecer o resultado eleitoral no Brasil?
Nesta sexta-feira 2, consulados norte-americanos pelo Brasil suspenderam seus trabalhos. Em nota, a diplomacia dos EUA não deu detalhes sobre os motivos que levaram as autoridades em Washington a fechar os serviços e citou apenas “questões de segurança”.
A iniciativa foi acompanhada também pela embaixada da Austrália em Brasília. Além de fechar sua embaixada, a diplomacia orientou que se evitasse chegar perto dos consulados dos EUA pelo país.
Para as autoridades brasileiras, a movimentação não passa de um “factoide” e uma operação de suspensão dos trabalhos seria desproporcional. Segundo a apuração da reportagem, elas consideram que não existem sinais de violência ou de ameaças que justifiquem as medidas adotadas pelos dois governos estrangeiros.
A situação, descreveu uma fonte do alto escalão brasileiro, é de “normalidade” às vésperas de uma eleição.
Apesar de fechar seus postos diplomáticos, os norte-americanos não modificaram a classificação de risco para um turista que queira visitar o Brasil.
Mas o tom alarmista, principalmente por parte dos australianos, chamou a atenção. “O terrorismo é uma ameaça global”, indicaram numa nota. “Ataques terroristas podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento. Esteja atento a possíveis ameaças, especialmente em locais públicos. Terroristas podem ter como alvo áreas turísticas ou outros locais frequentados por estrangeiros e onde grandes multidões possam se reunir”.
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Fonte: Carta Capital