EUA suspendem serviços consulares no Brasil por ‘questões de segurança’
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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A dois dias da eleição brasileira, Missão norte-americana não informou o que motivou a medida; funcionários da Embaixada em Brasília foram orientados a trabalhar de casa
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e os consulados norte-americanos no Brasil suspenderam, nesta sexta-feira 2, os serviços consulares presenciais por causa de “questões de segurança”. O aviso da Missão dos EUA no Brasil não especifica qual foi o risco que levou à decisão e também não estabelece uma data para a retomada dos atendimentos.
A suspensão alcança as representações norte-americanas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. A medida atinge diretamente cidadãos brasileiros que tinham agendamento para entrevista de visto para viajar aos EUA. A Embaixada dos EUA não informou quais providências essas pessoas deverão tomar para realizar as remarcações.
O comunicado orienta cidadãos norte-americanos que precisarem de assistência emergencial a não comparecerem à Embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas. Nesses casos, a orientação é procurar o oficial de plantão responsável.
A decisão foi acompanhada de uma medida interna na Embaixada. Funcionários foram avisados por e-mail na quinta-feira 1º de que deveriam trabalhar remotamente nesta sexta. A orientação ocorreu depois de a representação diplomática receber uma “ameaça”. O tipo de ameaça não foi divulgado.
A suspensão ocorre há alguns dias após a Embaixada dos EUA em Brasília voltar a ser alvo de pichações. Em 24 de setembro, frases contra Donald Trump foram escritas no muro da representação. Uma delas dizia: “Trump, pare de acusar o Brasil. Seu país é criminoso”. A autoria não foi identificada.
Foi o segundo episódio do tipo em pouco mais de um mês. Em 13 de agosto, o muro da Embaixada havia sido pichado com frases contra a política externa norte-americana. Na ocasião, houve também queima de uma bandeira dos Estados Unidos e a colocação de cartazes diante da representação. O protesto foi reivindicado pelo MST, pela Juventude Sem Terra e pelo Levante Popular da Juventude.
A Embaixada da Austrália em Brasília também anunciou que estará fechada nesta sexta por “preocupações com segurança”, sem especificar o que motiva a preocupação. Os australianos citaram a medida dos norte-americanos de suspenderem os serviços e indicaram contato com o Centro de Emergência Consular em Camberra para assistência consular ou questões urgentes.
O episódio ocorre no momento de maior tensão recente na relação entre Brasília e Washington. Além dos tarifaços contra produtos brasileiros, o governo Trump tem feito pressões intensas desde 2025 relacionadas ao processo contra Jair Bolsonaro e (PL) a questões políticas e judiciais brasileiras.
Em uma minuta apresentada durante as negociações comerciais, o governo norte-americano chegou a propor que o Brasil se comprometesse a não impedir a participação de “ dissidentes políticos ” nas eleições de 2026. O documento foi revelado em setembro e fazia parte de uma lista de 21 exigências apresentadas por Washington.
A relação entre Trump e Flávio Bolsonaro (PL) também passou a integrar esse ambiente de tensão. O governo norte-americano tem sido associado a uma aproximação política com o candidato bolsonarista, embora a Casa Branca não tenha declarado formalmente apoio a Flávio nesta reta final da campanha.
Na quinta-feira, Trump falou vagamente sobre a eleição brasileira. Questionado sobre o pleito, disse que o acompanhava “bem de perto” e afirmou que se tratava de uma eleição “muito importante”. O primeiro turno ocorre no próximo domingo, 4 de outubro.
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Fonte: Carta Capital