Mulher que sobreviveu a injeção letal nos EUA está em estado crítico

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – Christa Pike, de 50 anos, permanece em estado crítico após sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. A norte-americana foi levada a um hospital de Nashville depois que o procedimento realizado na quarta-feira (30) não provocou sua morte.

As informações foram divulgadas pela Reuters. Advogados de Pike afirmaram nesta quinta-feira (1º) que ela estava viva e recebendo atendimento médico de emergência, mas disseram não ter detalhes sobre o prognóstico.

“Christa está viva neste momento. Não temos uma noção clara do prognóstico nem muitas atualizações sobre seu estado de saúde agora, mas sabemos que ela está viva e recebendo atendimento médico de emergência”, disse Randall Spivey, um dos advogados.

Outro integrante da defesa, Stephen Farrell, afirmou que o quadro é considerado grave.

“O que nos informaram é que ela está em estado crítico, recebendo cuidados para salvar sua vida. Essas são as únicas informações que temos no momento”, declarou.

A tentativa de execução ocorreu na Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend. Pike havia sido condenada à morte na década de 1990 por um assassinato cometido quando tinha 18 anos.

Após o fracasso do procedimento, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções previstas no estado pelo restante do ano e anunciou uma revisão independente do que ocorreu.

Dois dias antes da tentativa de execução, Lee havia rejeitado um pedido de clemência apresentado pela defesa de Pike para que a pena de morte fosse convertida em prisão perpétua.

“Ninguém queria que o que aconteceu ontem à noite tivesse ocorrido”, afirmou o governador.

“É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha acontecido neste estado. A população merece algo melhor, e vamos garantir que isso aconteça”, acrescentou.

Pike recebeu duas aplicações do medicamento

O Tennessee adotou em 2024 um protocolo de injeção letal baseado no uso de apenas um medicamento: o pentobarbital, um barbitúrico de ação potente.

Segundo uma petição judicial apresentada pelos advogados de Pike, agentes penitenciários aplicaram duas seringas do medicamento durante a execução. O procedimento, segundo a defesa, provocou “agonia desnecessária”, mas não levou à morte da condenada.

As autoridades estaduais interromperam a execução depois que ficou evidente que o protocolo não havia produzido o resultado esperado. Pike foi então retirada da unidade prisional e levada de ambulância para atendimento médico.

Kayla Hackney, porta-voz do Departamento de Correções do Tennessee, não forneceu informações adicionais sobre o quadro clínico da presa nesta quinta-feira.

Primeira mulher em mais de dois séculos

Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos.

O episódio também gerou manifestação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Volker Türk voltou a defender a abolição da pena de morte nos Estados Unidos após o fracasso da execução.

“O sofrimento prolongado — físico e mental — decorrente de múltiplas tentativas de execução fracassadas é abominável e cruel”, afirmou Türk em comunicado.

A maioria dos países aboliu a pena de morte, seja formalmente ou na prática, embora ela continue prevista em parte dos Estados Unidos.

Crime ocorreu em 1995

Christa Pike tinha 18 anos em janeiro de 1995 quando participou do assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, colega do centro de treinamento profissional Job Corps, em Knoxville.

Segundo o processo, Pike, o então namorado Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos, e um terceiro participante atraíram Slemmer para uma área arborizada.

A jovem foi torturada e morta no local. Pike e Shipp confessaram participação no crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau.

A tentativa fracassada de execução deverá agora ser examinada pela revisão independente determinada pelo governo estadual, enquanto Pike permanece hospitalizada sob cuidados intensivos.

Fonte: Brasil 247

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