Grupo indiano ArcelorMittal projeta investimento bilionário no Brasil após governo barrar importações chinesas

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O grupo siderúrgico ArcelorMittal, controlado pela família indiana Mittal e um dos maiores produtores de aço do mundo, prepara um novo ciclo de investimentos superior a R$ 10 bilhões no Brasil. Os planos ganharam força depois que medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro reduziram a entrada de determinados produtos siderúrgicos chineses no mercado nacional.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a participação do aço importado no mercado brasileiro recuou de cerca de 25% para 16%. Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil, afirmou que a empresa considera mais adequado um patamar próximo de 10%.

O movimento ocorre depois de o governo adotar uma série de medidas antidumping contra produtos siderúrgicos chineses. Em fevereiro, por exemplo, foram aplicados direitos antidumping definitivos, por até cinco anos, sobre laminados planos a frio originários da China. O governo também estabeleceu medidas sobre laminados planos revestidos chineses.

Mais de R$ 10 bilhões no horizonte

A melhora das condições competitivas abriu espaço para a ArcelorMittal projetar novos aportes. Entre os projetos está um investimento já confirmado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na unidade de Tubarão, na Serra, Espírito Santo.

O projeto prevê a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e de uma Linha de Revestimento Contínuo, permitindo ampliar a fabricação de produtos siderúrgicos de maior valor agregado destinados principalmente aos setores automotivo, de construção civil e de eletrodomésticos. A própria companhia confirmou oficialmente o investimento em agosto.

Outro projeto relevante está no Ceará. A ArcelorMittal avalia investir cerca de R$ 5 bilhões na expansão da usina de Pecém, com a instalação de uma nova linha para produção de bobinas laminadas a quente. Segundo a Bloomberg Línea, a companhia pretende tomar uma decisão final sobre o investimento até o fim de 2026.

Somados a outros projetos, os aportes em análise ou já anunciados podem superar R$ 10 bilhões nos próximos anos.

Defesa da indústria nacional

A ArcelorMittal vinha pressionando por medidas de defesa comercial diante do avanço das importações. Dados divulgados pela própria companhia apontam que as importações brasileiras de laminados chegaram a 5,7 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 20,5% sobre 2024. A taxa de penetração dos produtos importados alcançou 21% naquele ano.

A empresa argumenta que parte relevante da pressão competitiva vinha da China, cujos produtos chegariam ao Brasil em condições consideradas desleais pela indústria nacional. Investigações conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) resultaram na aplicação de direitos antidumping a diferentes categorias de produtos chineses.

As medidas não significam uma proibição geral à entrada do aço chinês. Trata-se da aplicação de tarifas adicionais a produtos específicos quando as autoridades brasileiras concluem, após investigação, pela existência de dumping e dano à indústria doméstica.

Brasil ganha importância para o grupo

O Brasil já ocupa posição estratégica dentro da operação global da ArcelorMittal. Segundo a Folha, o País é o segundo maior mercado do grupo e registrou receita de aproximadamente US$ 3,15 bilhões no segundo trimestre deste ano.

O novo ciclo se soma aos investimentos realizados nos últimos anos. Em março, a companhia inaugurou uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro em Serra Azul, Minas Gerais, resultado de um investimento de R$ 2,5 bilhões. A unidade ampliou sua capacidade de produção de 1,5 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais.

A sinalização da multinacional indiana reforça um dos argumentos utilizados pelo governo brasileiro na adoção das medidas de defesa comercial: proteger a produção instalada no País pode criar condições para novos investimentos, aumento da capacidade produtiva e geração de empregos.

Para a ArcelorMittal, no entanto, ainda existem obstáculos estruturais. A empresa aponta o custo da energia e do gás natural e o chamado “Custo Brasil” como fatores que precisam ser enfrentados para aumentar a competitividade da siderurgia nacional.

O movimento agora observado mostra, de qualquer forma, uma mudança relevante no cenário. Depois de anos de crescimento das importações e de forte pressão sobre as siderúrgicas instaladas no Brasil, as barreiras antidumping aplicadas pelo governo começam a alterar a dinâmica do mercado — e um dos maiores grupos siderúrgicos do planeta responde colocando bilhões de reais em novos projetos no País.

Fonte: Brasil 247

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