EUA já interferiram na política do Brasil antes, mas agora Trump expõe suas intenções, avalia advogado

0

Por José Bernardes — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

No audio source provided.

A nova investida do governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro, com um possível aporte de US$ 1 milhão para campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), soma-se a outros tantos movimentos de ingerência de Donald Trump no país, incluindo intromissões no próprio processo eleitoral. A estratégia estadunidense, contudo, não é uma novidade e faz parte de um modo de o imperialismo operar em uma região que os EUA sempre consideraram como sua zona de influência: a América Latina.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o advogado Olavo Hamilton, professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), ressalta que os EUA sempre tiveram essa relação de ingerência no próprio Brasil. Ele recorda como o governo estadunidense auxiliou, inclusive financeiramente, a instalação de uma ditadura militar no país. A mudança relevante está apenas na exposição das intenções.

“Imaginar que eles não teriam influência na nossa política, no Supremo Tribunal Federal, nos rumos do país é algo até ingênuo”, pontua. “O que muda é que Trump tem uma política de divulgar o que está fazendo, de não mais esconder, de não ocultar os interesses dos EUA. Isso aconteceu agora no episódio da Venezuela, quando Trump declarou que, ao sequestrar Maduro, o interesse era no petróleo”, argumenta.

A tentativa de interferência externa no Supremo ocorre pouco após os vazamentos seletivos da investigação do Banco Master, que implicaram diretamente ministros do STF, como André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli e o atual presidente da Justiça Eleitoral, Kassio Nunes Marques.

Para Olavo Hamilton, várias decisões recentes geraram instabilidade no STF e até insegurança jurídica. Um exemplo é o caso da censura ao post sobre Nossa Senhora Aparecida; pelo qual a campanha de Flávio Bolsonaro se sentiu atingida, já que fazia menção a “uma família miliciana”.

“Chega a ser algo estranho que ela tenha sido proibida. Como é que a gente vincula isso a um determinado candidato da presidência da República? Como é que esse candidato vem ao Judiciário dizer: ‘Estão falando de mim’? Chega a ser irônico”, avalia.

Hamilton avalia que o fato de Nunes Marques — ministro que está diretamente envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo apuração da Polícia Federal — presidir a Justiça Eleitoral é mais um elemento da crise. Ele avalia que nenhum dos ministros com alguma suspeita de envolvimento no caso poderia julgar.

“É muito triste que você tenha essa pecha de suspeita. E aí eu gostaria de mais uma vez ressaltar: essa suspeita é baseada em vazamentos que são seletivos, que a gente não conhece o contexto e a integridade dessas provas, desses supostos indícios”, aponta.

Por fim, o advogado considera que o atual momento de crise institucional no STF, que apresenta profundas rachaduras, vai ainda durar algum tempo. “Essa divisão não vai se acabar tão cedo. Se Lula ganhar, ela vai se aprofundar e se Flávio Bolsonaro ganhar, eles vão tentar acabar com essa divisão, fazendo impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, alerta.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *