Lula usará entrevista ao Flow para rebater ataques durante debate da Globo
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende transformar sua participação no Flow Podcast, na noite desta quinta-feira (1º), em uma oportunidade para responder a ataques feitos por adversários durante o debate presidencial da TV Globo, realizado simultaneamente. Lula decidiu não comparecer ao último confronto televisivo antes do primeiro turno.
Segundo O Globo, integrantes da equipe do presidente acompanharão o debate, marcado para começar às 21h30, e ficarão atentos a críticas dirigidas ao petista para que temas levantados pelos adversários possam ser respondidos durante a entrevista. A estratégia, porém, não prevê que toda a conversa no podcast seja conduzida pelas declarações feitas na Globo.
Participarão do debate Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). A ausência de Lula deixa o principal candidato nas pesquisas fora do confronto a três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4). A realização do debate com os quatro candidatos e a ausência do presidente também foi confirmada pelo UOL.
Dentro da campanha, a decisão de não ir à Globo é tratada como uma das apostas de maior risco da reta final. Aliados avaliam que a presença poderia colocar Lula no centro dos ataques dos demais participantes e criar uma dinâmica em que os adversários concentrassem críticas sobre o presidente.
Ao mesmo tempo, a estratégia permite que Lula fale durante um período semelhante ao do debate, mas em um ambiente diferente e sem a necessidade de obedecer às regras de réplica, tréplica e tempo limitado impostas pelo confronto televisivo.
Campanha prepara respostas para temas sensíveis
A equipe presidencial já trabalha com a possibilidade de que determinados assuntos sejam explorados durante o debate e repercutam imediatamente nas redes sociais.
Um deles é a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, retomada nas plataformas digitais a partir da circulação de referências a um projeto de lei arquivado há quase duas décadas que pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
A campanha também espera questionamentos relacionados às investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete. Outro tema considerado provável é a exploração política das suspeitas e controvérsias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com O Globo, Lula vinha demonstrando resistência a participar do debate justamente por avaliar que poderia se tornar o principal alvo dos concorrentes. Entre seus aliados havia o receio de uma espécie de ação coordenada entre os participantes para pressioná-lo e de que um eventual erro a poucos dias da votação tivesse repercussão eleitoral.
A decisão de faltar, no entanto, não foi consensual entre integrantes da própria campanha.
Disputa chega à reta final apertada
A opção ocorre em um momento de forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou o presidente com 39% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 34% do candidato do PL. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro, tem nível de confiança de 95% e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026. Em uma eventual disputa entre Lula e Flávio no segundo turno, os dois registraram 42%, configurando empate numérico.
A proximidade entre os dois candidatos aumenta o peso das últimas aparições públicas antes da votação. Enquanto Flávio terá a exposição proporcionada pelo debate da Globo, Lula aposta na entrevista ao podcast para falar diretamente ao público e, ao mesmo tempo, reagir aos temas lançados pelos adversários no confronto televisivo.
Fonte: Brasil 247