AGU pede ao MPF e à PF apuração de financiamento internacional à extrema-direita no Brasil

0

Por Maiara Marinho — Carta Capital

Menu

DIRETO DA REDAÇÃO: Mendonça obtém vitória de Pirro no TSE

A ação teve origem em uma atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, motivada por revelações trazidas pelo jornal britânico The Guardian

O advogado-geral da União, Jorge Messias, encaminhou nesta quinta-feira 1º ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma solicitação para a imediata apuração de um suposto financiamento de uma agenda de extrema-direita no Brasil pelo governo de Donald Trump.

A ação teve origem em uma atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, motivada por revelações trazidas pela imprensa internacional. A base da denúncia é uma reportagem veiculada em setembro pelo jornal britânico The Guardian, intitulada “Governo Trump desvia recursos destinados aos direitos humanos para promover uma agenda de extrema direita no exterior”.

A notícia, segundo a AGU, apresenta evidências de um possível direcionamento de verbas públicas do governo dos Estados Unidos para o financiamento de redes e organizações atuantes no território brasileiro, “com fins de financiar a articulação de grupos voltados a interferir no debate político e institucional brasileiro e a deslegitimar o Supremo Tribunal Federal, sob o suposto pretexto de combater a censura e alegados abusos judiciais”, diz o documento.

O dinheiro teria como suposto objetivo o “financiamento e a sustentação financeira de entidades e grupos da sociedade civil focados em desestabilizar e atentar contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro, sob o pretexto de combater suposta ‘extrapolação judicial’ e ‘censura’ supostamente atribuídas ao Supremo Tribunal Federal”.

A AGU diz ainda que não desconhece o valor da “proteção da liberdade de expressão e do legítimo direito de crítica”, mas o Estado também “se alicerça nos fundamentos da soberania, da independência e da não intervenção”, como a “vedação de financiamento ou subordinação de agremiação política por entidade ou governos estrangeiros”.

Especificamente, a publicação revelou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos alocou 1 milhão de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia para uma iniciativa voltada ao combate ao lawfare e à censura no Brasil. Diante do atual cenário de eleições e das recentes investidas internacionais contra os poderes do País, a AGU ressaltou a gravidade das acusações.

A comprovação do recebimento dessa verba para organizar ataques direcionados à soberania e ao equilíbrio institucional indicaria uma clara intromissão de governos de fora na política interna brasileira, considera o órgão. Com isso, o pedido formalizado busca identificar tanto os responsáveis pelo envio dos valores quanto quem os recebeu dentro do país para aplicar as sanções criminais cabíveis aos envolvidos.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *