Às margens do rio Thu Bon, perto de sua chegada ao mar, casas e ruas preservam a memória de um porto que negociou com boa parte da Ásia entre os séculos XV e XIX: a cidade vietnamita moldada por influências chinesas, japonesas e europeias

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Por Joaquim Luppi Fernandes — Catraca Livre

Localizada na foz serena do rio Thu Bon, Hoi An preserva uma atmosfera singular onde o passado mercantil ganha vida através da arquitetura. Percorrer essas vielas encantadoras transporta os viajantes para um intercâmbio fascinante que moldou comunidades marítimas e tradições comerciais únicas.

A histórica Ponte Japonesa expressa a união e o intercâmbio entre diferentes povos na Ásia.

Por que o porto de Hoi An atraiu tantos navegadores estrangeiros?

Durante vários séculos, a posição geográfica privilegiada no Vietnã central transformou a localidade em um ponto estratégico para rotas de navegação. Embarcações de diversas partes do mundo encontravam abrigo seguro nas águas tranquilas, facilitando a troca constante de mercadorias valiosas e produtos raros.

Entre os séculos quinze e dezenove, negociantes japoneses e chineses aportavam no cais ribeirinho em busca de seda fina e especiarias aromáticas. Essa intensa movimentação consolidou o entreposto regional, estabelecendo relações duradouras que atraíram marinheiros europeus e expandiram o comércio marítimo.

Como a Ponte Japonesa expressa a união entre diferentes povos?

Construída originalmente por mercadores nipônicos no início do século dezessete, a ponte coberta servia como elo físico entre comunidades vizinhas. O monumento representava um elo comunitário tão significativo que recebeu o nome poético de ponte dos amigos vindos de terras distantes.

Reformada posteriormente por artesãos chineses, a estrutura de madeira preserva telhas esculpidas que remetem à estética tradicional do período Edo. Hoje, moradores e turistas atravessam a passagem empurrando bicicletas a pé, mantendo viva uma reverência cotidiana ao legado daqueles antepassados.

Abaixo, veja um vídeo do canal UNESCO no YouTube que apresenta os detalhes históricos desta cidade fascinante:

Como as antigas casas comerciais revelam as influências asiáticas?

As habitações erguidas pela comunidade chinesa foram desenhadas com fachadas bastante estreitas e portas pequenas para acomodar inúmeros comerciantes na mesma via. O interior se estende profundamente pelos lotes urbanos, lembrando a planta das residências tradicionais de Kyoto no Japão.

Casarões com mais de um século e meio de história contam com vigas triplas imponentes e pátios internos que ventilam os cômodos. Sucessivas gerações de famílias conservam essas madeiras aplicando resinas especiais antes da celebração festiva do novo ano lunar.

Quais características tornam o conjunto urbano tão especial?

O traçado urbano de Hoi An reflete um arranjo planejado onde ruas estreitas conectam o rio aos armazéns residenciais. Cada quarteirão preserva um mosaico de telhados cerâmicos e fachadas que expressam séculos de trocas culturais entre navegadores orientais e ocidentais.

A autenticidade das edificações depende do trabalho minucioso de carpinteiros locais especializados em técnicas ancestrais de marcenaria. Na recuperação dos imóveis, peças antigas são aproveitadas sempre que possível, mantendo a integridade material das estruturas de madeira e sua harmonia visual.

Entre os elementos mais marcantes que compõem essa paisagem histórica destacam-se os seguintes pontos:

  • Casas tradicionais de madeira com fachadas estreitas e interiores compridos.
  • Ponte Japonesa coberta que unia antigos bairros mercantis.
  • Vigas triplas protegidas com resinas naturais transmitidas por gerações.
A preservação do patrimônio arquitetônico de Hoi An garante o equilíbrio entre o turismo e sua identidade.

Como a preservação do patrimônio garante o futuro de Hoi An?

Com o aumento contínuo de visitantes internacionais, os moradores dedicam atenção redobrada à conservação de suas construções seculares. O reconhecimento concedido pela UNESCO estimula políticas de proteção que asseguram o equilíbrio constante entre a atividade turística e a identidade comunitária.

As obras de restauro exigem investimentos expressivos e o emprego dos mesmos tipos de matéria vegetal para substituir peças desgastadas. Proteger esse tesouro vivo permite que futuras gerações compreendam a grandiosidade de um entreposto mercantil que uniu povos e culturas no passado.

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Fonte: Catraca Livre

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