Lula, o Banco Central e o silêncio sobre o desconforto mais baixo da história

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Por Mario Vitor Santos — Brasil 247

O brasileiro vai às urnas neste domingo e, se depender do índice de desconforto econômico, o presidente Lula será eleito. Com um desemprego em torno de 5,3% e uma inflação de 4,2%, ambos apurados pelo IBGE, o país chega ao voto com a soma dos dois índices em 9,5. Tanto a soma quanto os índices de inflação e desemprego atingiram os mais baixos patamares de toda a história. É uma notícia espetacular que deveria ser recebida com aplausos gerais. Mas ninguém fala dela.

Acrescente-se que o sucesso do controle dos preços tem tudo a ver com a política econômica realizada pelo presidente Lula, em especial com a condução madura e responsável do Banco Central.

Apesar de um clamor recorrente em sentido oposto, a autoridade monetária soube priorizar seu mandato de controle dos índices de inflação. Isso exigiu sacrifícios expressos nas elevadas taxas de juros reais, mas trouxe resultados sabidos na valorização da moeda brasileira frente ao dólar (20% desde 2025 até agora), o que garantiu a bem-vinda estabilidade monetária seriamente ameaçada ao fim da gestão de Roberto Campos Neto.

Um benefício precioso dessa estratégia foi seu efeito sobre os preços em geral, que se conservaram baixos, em especial dos núcleos da inflação de alimentos, que ficaram próximos de zero.

Está aí o principal motivo para a melhoria da aprovação da população ao governo do presidente Lula e, por consequência, do aumento das chances de vitória em sua busca pela reeleição. Se, com taxas de juros artificialmente mais baixas, o dólar e os preços disparassem, as chances de Lula desapareceriam.

O dólar chegou a 6,20 reais em dezembro de 24. Baixou para os 5,20 de agora.

Se aqueles números se mantivessem, a mídia imensamente oposicionista usaria o descontrole para descartar as aspirações reeleitorais de Lula e as expectativas dos progressistas.

Não foi nada simples. A operação de Lula e do Banco Central ocorreu em meio a feroz resistência, demandando firmeza absoluta, sendo que os juros altos não resularam em crescimento do desemprego. Ao contrário, o país experimenta a mais baixa taxa de sua história, um nível de pleno emprego, o que favorece a negociação de melhores salários. Só mesmo a estreiteza ideologizante da mídia hegemônica explica a ocultação de um momento tão especial, quando a massa salarial também alcança recorde histórico.

Infelizmente, esse efeito tão positivo é omitido até mesmo pela esfera midiática progressista. Nesse tema, há uma inexplicável coincidência de abordagem: a mesma ladainha une neoliberais e progressistas, ambos seduzidos pelo canto de sereia das soluções fáceis para a inflação brasileira. Coincidem, por motivos distintos, em tirar o tema da prioridade número um das urgências nacionais, para tolerar mais inflação, ignorando os efeitos explosivos que essa? negligência teria não apenas sobre a economia, mas sobre o projeto governista como um todo.

Usou-se todo tipo de argumento para que o BC e o governo fraquejassem no combate à inflação. Numa repetição do discurso ortodoxo e fiscalista, alegou-se que a dívida pública, por causa dos juros, saíra de controle, o que é uma inverdade. Ela cresceu em níveis perfeitamente aceitáveis para um país da dimensão e complexidade do Brasil, e caminha para a estabilidade. Além disso, a dívida pública brasileira não assusta também porque é toda denominada em moeda nacional, sendo que seus títulos atrelados à Selic são amplamente demandados dentro e fora do país, e sua situação está longe do descontrole que procuram caracterizar os arautos do eterno colapso iminente dos governos progressistas no Brasil.

Falou-se, mais recentemente, numa explosão insuportável do endividamento das famílias. Outra manipulação dos dados. Basta conferir os números para constatar que as dívidas familiares seguem patamares estáveis, nos mesmos níveis históricos, longe da situação de desespero narrada pela oposição e seus arautos no jornalismo de todos os matizes. O crédito sim aumentou muito de 2022 para cá.

A política monetária brasileira é resultado de um passo ousado e obrigatório dado em dezembro de 2024 numa direção inesperada numa situação difícil.

Os inimigos do Brasil estavam à espreita para atacar e provocar uma corrida contra a nossa moeda. Eles se frustraram. As alternativas existentes, fáceis na aparência, seriam desastrosas.

A gestão monetária de Lula 3 é um estrondoso sucesso em especial junto à população. Porque beneficia a imagem do presidente, ela é ativamente ocultada. Nas pesquisas de opinião, ela deslocou as preocupações econômicas tradicionais, como inflação (junto com o desemprego), do topo da lista de aflições dos brasileiros. Isso já seria motivo de celebração. Exaltada pelos especialistas de todo o mundo, ela é recebida em silêncio justo no Brasil, onde deveria ser mais propriamente reconhecida — por um jornalismo que se quisesse isento. 

Fonte: Brasil 247

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