Lula fecha acordo para votar fim da escala 6×1 entre os dois turnos das eleições
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou nas negociações para tentar levar ao plenário do Senado a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 logo depois do primeiro turno das eleições.
Segundo apuração da jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, integrantes do governo receberam nos últimos dias uma sinalização positiva da cúpula do Senado de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá pautar a matéria. As tratativas vêm sendo realizadas há semanas nos bastidores.
A expectativa discutida pelos envolvidos é que a votação ocorra entre o primeiro e o segundo turnos. A possibilidade de uma sessão já na próxima semana também está sobre a mesa, embora ainda não haja uma data definida.
A movimentação ocorre depois de Alcolumbre ter afirmado publicamente, no início de setembro, que a proposta seria levada ao plenário somente após as eleições. Na ocasião, o texto já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não avançou para a votação pelos senadores. Para uma proposta de emenda à Constituição ser aprovada no plenário da Casa, são necessários ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos.
Medida entra no centro da estratégia eleitoral
Além da repercussão trabalhista, a votação passou a ocupar espaço relevante na estratégia eleitoral do Palácio do Planalto. De acordo com uma fonte da campanha ouvida pela CNN, a avaliação é que a aprovação do fim da escala 6×1 pode fortalecer Lula em uma disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Às vésperas do primeiro turno, levantamentos eleitorais mostram Lula e Flávio próximos, com diferenças dentro da margem de erro em diversos cenários. A CNN registrou nesta quinta-feira (1º) que, conforme o instituto considerado, Lula aparece na liderança ou empatado com o adversário no primeiro turno, enquanto as simulações de segundo turno também apontam empate técnico.
Nesse contexto, integrantes da campanha veem a redução da jornada como uma das medidas capazes de mobilizar o eleitorado na reta final da disputa.
O governo já adotou outras iniciativas de forte impacto social durante o período eleitoral. Entre elas está o reajuste de 15% do Bolsa Família. A gestão Lula também colocou entre suas prioridades mudanças relacionadas às apostas on-line.
O fim da escala 6×1, porém, permanecia como uma das principais propostas ainda pendentes dentro da agenda defendida por Lula.
Proposta ganhou espaço na agenda do governo
A redução da jornada de trabalho não esteve, inicialmente, entre as principais prioridades do Executivo. O tema ganhou força dentro do governo durante o primeiro semestre, em meio às dificuldades enfrentadas por Lula na avaliação popular.
A partir daí, o Planalto passou a apoiar a proposta e incorporou a mudança à plataforma defendida pelo presidente para um eventual quarto mandato.
Lula tem declarado publicamente que pretende ver o fim da escala 6×1 aprovado ainda neste ano. O governo tentou acelerar a votação durante o esforço concentrado realizado pelo Congresso antes do primeiro turno, mas não conseguiu concluir a tramitação no Senado.
Em 3 de setembro, Alcolumbre afirmou no plenário que a análise ficaria para depois das eleições. Dirigindo-se ao senador Paulo Paim (PT-RS), declarou: “O senador Paulo Paim está aqui na mesa e vou dizer a vossa excelência e ao Brasil que vossa excelência estará aqui votando após as eleições o fim da escala 6×1 no plenário do Senado Federal”.
Fonte: Brasil 247