Índia e Catar aceleram negociações comerciais e discutem investimento de US$ 10 bilhões

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – Índia e Catar decidiram acelerar as negociações para ampliar seus vínculos econômicos, com foco na conclusão de um tratado bilateral de investimentos e no avanço de um acordo de livre comércio. As conversas incluem ainda a implementação de um compromisso catariano de investir US$ 10 bilhões na Índia e a instalação de um escritório do fundo soberano Qatar Investment Authority (QIA) no país. As informações foram divulgadas pela agência ANI, com base em comunicado do Ministério das Finanças da Índia.

As tratativas ocorreram durante uma reunião entre a ministra indiana das Finanças, Nirmala Sitharaman, e o ministro de Estado do Catar para o Comércio Exterior, Ahmad bin Mohammed Al-Sayed, à margem da reunião anual de 2026 do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), em Doha.

Segundo o ministério indiano, os dois governos demonstraram interesse em acelerar as discussões para concluir o Tratado Bilateral de Investimentos. Também decidiram dar impulso às negociações relacionadas ao acordo de livre comércio.

Outro ponto central do encontro foi a aplicação do compromisso de US$ 10 bilhões em investimentos do Catar na Índia. As autoridades também trataram da abertura de um escritório da Qatar Investment Authority em território indiano.

O QIA é o fundo soberano do Catar e mantém investimentos internacionais em diferentes setores e classes de ativos. A relação do fundo com a Índia não é recente: em 2016, o QIA e o National Investment and Infrastructure Fund (NIIF) assinaram um memorando para facilitar investimentos catarianos em projetos de infraestrutura indianos.

Infraestrutura indiana no radar do Catar

Durante a reunião, Al-Sayed apontou oportunidades para investimentos catarianos em áreas consideradas estratégicas para a infraestrutura da Índia, entre elas portos, aeroportos, rodovias e energia elétrica.

Do outro lado, o governo do Catar identificou espaço para ampliar a presença de companhias indianas em sua economia. Entre os setores mencionados estão segurança alimentar, indústria farmacêutica, petroquímica, educação, saúde e startups.

Sitharaman também defendeu a normalização do comércio entre Índia, Catar e outros países do Golfo. Segundo o relato do Ministério das Finanças, a ministra ressaltou a importância da navegação marítima e do comércio sem obstáculos pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte internacional de petróleo e gás.

A agenda em Doha integra a atuação internacional da ministra indiana, que permanece à frente do Ministério das Finanças do país, conforme registros oficiais do Departamento de Assuntos Econômicos da Índia.

Governo indiano busca atrair empresas catarianas

Além do encontro bilateral, Sitharaman participou de uma mesa-redonda empresarial organizada pela Qatari Businessmen Association (QBA), também em Doha. A delegação indiana apresentou indicadores econômicos do país e oportunidades para investidores estrangeiros.

De acordo com os números apresentados pelo Ministério das Finanças, o PIB real indiano avançou 7,8% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, enquanto os investimentos cresceram 11,9%. Para o governo indiano, os resultados indicam resistência da atividade econômica diante das incertezas internacionais.

O ministério também destacou a elevação da classificação de crédito de longo prazo da Índia pela Japan Credit Rating Agency (JCR), de BBB+ para A-. Segundo o governo, a mudança foi apresentada aos empresários como um sinal de confiança nas reformas estruturais realizadas no país.

Outro dado levado às reuniões foi o ingresso bruto anual de investimento estrangeiro direto. Segundo os números divulgados pelo governo indiano e reproduzidos pela ANI, o fluxo alcançou o recorde de US$ 94,53 bilhões no ano fiscal de 2026, maior resultado registrado no período de 15 anos considerado pelo ministério.

Durante o encontro empresarial, Sitharaman apresentou oportunidades econômicas nos dois países e incentivou companhias catarianas a ampliar parcerias comerciais e investimentos na Índia. A iniciativa ocorre em paralelo às negociações entre os governos para estabelecer instrumentos jurídicos e comerciais destinados a aprofundar a relação econômica bilateral.

Fonte: Brasil 247

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