Engajamento e abstenção podem decidir disputa entre Lula e Flávio, dizem analistas de pesquisas

0

Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O comparecimento às urnas, a abstenção e a transferência de votos de outros candidatos podem definir a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição de domingo (4). Em debate promovido pela CNN Brasil na quarta-feira (30), representantes de institutos de pesquisa avaliaram que a mobilização dos eleitores e as decisões tomadas nos últimos dias da campanha ainda podem alterar o resultado.

Segundo a CNN Brasil, os levantamentos apresentam diferenças no primeiro turno: Lula aparece à frente ou em empate com Flávio, dependendo do instituto, e parte das distâncias está dentro das margens de erro. Nas simulações de segundo turno, o cenário descrito é de empate técnico. Os especialistas também destacaram a rejeição aos candidatos e a presença de eleitores insatisfeitos com o governo que ainda não aderiram ao adversário do presidente.

Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, apontou três fatores capazes de movimentar a disputa: a migração de votos de candidatos com menos apoio, a repercussão de notícias e debates e o engajamento do eleitorado. Para ele, a disposição de sair de casa para votar terá peso na definição do resultado.

“O comparecimento dos eleitores é fundamental para a reta final e para os resultados que vão aparecer no domingo”, afirmou Russo. Segundo o pesquisador, os institutos conseguem captar esse comportamento de maneira mais completa apenas às vésperas da votação.

A transferência de votos envolve eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A eventual decisão desses grupos de apoiar um dos dois principais candidatos constitui uma das incertezas da reta final.

Insatisfação com o governo não garante voto em Flávio

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, chamou a atenção para o eleitor que desaprova a gestão Lula, mas não declara intenção de votar em Flávio Bolsonaro. De acordo com os números apresentados por ele, 49% desaprovam o governo e 46% o aprovam.

“A chave dessa eleição talvez seja justamente o comportamento desse eleitor que está insatisfeito com o governo, mas que hoje se recusa a manifestar a intenção de voto em Flávio”, disse Tokarski.

Segundo o executivo, esse grupo reúne, em geral, pessoas com maior escolaridade, integrantes da classe média e moradores de grandes centros urbanos. A decisão desses eleitores pode influenciar o resultado, já que a avaliação negativa do governo não se converte necessariamente em apoio ao principal candidato da oposição.

Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, também destacou a possibilidade de mudanças nos últimos dias. Ela afirmou que os dados mais recentes mostram volatilidade nas intenções de voto e desânimo diante dos dois nomes que lideram a corrida presidencial.

“O eleitor está anestesiado, desanimado com as duas possibilidades presentes”, afirmou.

Schulman descreveu ainda o fenômeno que chamou de “antipetismo de chegada”: a tendência de parte dos eleitores de candidatos menores migrar, perto da votação, para o nome mais forte da oposição ao PT.

Rejeição aos adversários marca escolhas

Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, avaliou que a disputa pode representar “a eleição mais negativa desde a redemocratização”. Na interpretação dele, a intenção de impedir a vitória do adversário pesa mais do que a identificação com o candidato escolhido.

“As pessoas não estão escolhendo o candidato pelo gosto desse candidato, estão escolhendo mais na tentativa de derrotar o outro lado.”

Soller informou que, no último levantamento interno da empresa, cerca de 12% a 13% dos eleitores ainda não sabiam em quem votar no domingo. O dado apresentado no debate indica que uma parcela do eleitorado permanecia sem uma escolha definida a poucos dias do primeiro turno.

O analista também projetou uma abstenção superior à registrada no primeiro turno da eleição anterior. Embora tenha classificado a hipótese como remota, não descartou a possibilidade de a disputa terminar já na primeira votação.

Desânimo do eleitorado

Yuri Sanches, responsável pela análise política da AtlasIntel, examinou a dificuldade do governo para ampliar sua aprovação durante a campanha. Segundo ele, Lula chegou ao período eleitoral com rejeições consolidadas e um eleitorado que demonstrava desânimo.

“É um Lula que foi eleito com um voto crítico”, afirmou Sanches.

O analista lembrou que a vitória de 2022 ocorreu por uma diferença de aproximadamente 1,8 ponto percentual. Na avaliação dele, a rejeição à gestão da pandemia e a defesa da democracia contribuíram para o apoio recebido pelo petista naquela eleição, sem assegurar uma adesão duradoura ao governo.

Sanches também atribuiu parte da dificuldade à demora na apresentação de entregas concretas. Ele citou a isenção do Imposto de Renda como exemplo de medida que não produziu uma conversão automática em votos. Segundo sua análise, parte dos beneficiários só perceberá os efeitos de maneira efetiva no ano seguinte, ao apresentar a declaração.

“No saldo final do eleitor, parece não ter havido uma conquista, uma fidelização do apoio crítico que o presidente Lula recebeu em 2022”, concluiu.

Renda, religião e região dividem o eleitorado

As pesquisas descritas pela CNN Brasil mostram diferenças nas preferências conforme renda, religião e localização. Lula mantém vantagem entre eleitores que recebem até dois salários mínimos, enquanto Flávio Bolsonaro reúne mais apoio nas faixas de renda superiores.

Entre os católicos, o presidente conserva a preferência. Entre os evangélicos, a maioria das intenções de voto se concentra no senador. A divisão regional também permanece: o Nordeste favorece Lula, e o Sul apresenta maior apoio a Flávio Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *