Cansaço mental: o impacto da rotina e do trabalho no bem-estar

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Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 22:04

Tiago Taam

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A saúde mental é um tema cada vez mais debatido na sociedade. O assunto é uma das prioridades no plano de ação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que busca reduzir os impactos do cansaço mental até 2030. Portanto, para atingir um cotidiano mais saudável, é necessária uma boa rotina social.

O corpo interfere diretamente na mente, desde o momento de acordar até a hora de dormir. De acordo com Valdir Campos, psiquiatra e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), existem seis pilares  fundamentais  a serem seguidos para ser mentalmente saudável.

1) Alimentação saudável: buscar a orientação de um nutricionista é fundamental para entender as próprias necessidades e para atingir um melhor funcionamento do corpo.

2) Sono regulado: um sono desregulado pode causar alterações no cortisol, o principal causador do estresse. Por isso, evite o uso de telas por 2 horas antes de deitar; tenha um horário para dormir e outro para acordar; evite consumir substâncias como cafeína.

3) Atividades físicas: exercitar o corpo, seja por passatempo ou estética, ajuda na circulação sanguínea e reduz os níveis de ansiedade e estresse. Além, é claro, de gerar felicidade e benefícios para a autoestima.

4) Controle de Gerenciamento do Estresse: uma pessoa estressada, além de não dormir bem, desestimula todos os outros cinco pilares para atingir uma vida mentalmente saudável. Portanto, é importante saber controlar os maus momentos.

5) Relacionamento social: ter grupos de apoio para compartilhar afetividade e confiança é crucial para uma saúde mental equilibrada. Conversar é sempre importante.

6) Diga não às drogas: o consumo de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, alteram o sistema nervoso central e a química do cérebro. Evitar o consumo irá gerar mais equilíbrio entre corpo e mente.

As recomendações apontadas por Valdir são difundidas constantemente na sociedade. Por isso, o psiquiatra analisa que para manter a mente equilibrada é necessário “fazer o básico”, mas observa que tornar essas ações um hábito é a grande dificuldade desse processo.

“Existem hábitos que são básicos, conhecidos, mas poucos seguem porque é difícil manter constância. A saúde do corpo está atrelada ao mental. Então, quanto maior for o compromisso em seguir esses pilares, maior será a probabilidade de ser mentalmente saudável”, analisa Valdir, sobre a importância de criar hábitos benéficos ao corpo e mente.

Para reduzir o cansaço mental, é necessário manter uma boa rotina durante a semana. No entanto, para grande parte da população, essa dinâmica tem ligação direta com o trabalho. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, mais de 103 milhões de brasileiros possuem alguma ocupação trabalhista, o equivalente a 59,1% da população em idade de trabalhar.   

A psiquiatra Letícia Memeri, especialista em mitigação de riscos trabalhistas, aponta que a cobrança no ambiente profissional é inevitável. Contudo, ela ressalta que esse tipo de pressão deve vir acompanhado de diálogo respeitoso e de um clima organizacional que preze pela segurança psicológica.

“As cobranças e dificuldades existem e fazem parte do trabalho. A diferença está na forma como essas situações são conduzidas. Um ambiente saudável tem respeito, diálogo e traz segurança ao trabalhador. A pessoa consegue falar, tirar uma dúvida, pedir ajuda ou admitir que errou, sem medo de ser humilhada ou punida”, alerta Letícia sobre os cuidados essenciais no cotidiano corporativo.

O impacto desse cenário reflete-se na percepção pública. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos em outubro de 2025, 52% dos brasileiros afirmam que a saúde mental é o principal problema de saúde do país. O dado chama atenção pela disparidade histórica: em 2018, a mesma pesquisa constatava que apenas 18% dos entrevistados compartilhavam dessa mesma opinião.  

Este conteúdo foi produzido por Tiago Taam, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Guilherme Sillva. 

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