Simone Tebet enquadra Eduardo Bolsonaro: “condenado e covarde”

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – A candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) reagiu às ofensas feitas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nas redes sociais, classificando-o como “covarde” e lembrando suas condenações judiciais. O confronto ocorreu depois que Eduardo chamou Tebet de “vassala do Lula” e afirmou que ela “se prostitui” por cargos políticos.

“Não é a primeira vez que sofro violência política de gênero e, infelizmente, não será a última. Lamento o nível, mas não me surpreende quando vem de um condenado pela Justiça”, afirmou Tebet. Em seguida, referiu-se a Eduardo como um “contumaz condenado pelo Supremo Tribunal Federal”.

A candidata foi ainda mais contundente ao responder ao ex-deputado, que vive atualmente nos Estados Unidos.

“É um covarde que ataca protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio. Essa é a indigência do debate político que não pode prosperar”, afirmou.

Tebet acrescentou que não pretende recuar diante das agressões: “Eu não vou baixar a cabeça, não vou me intimidar e não vou aceitar que nenhuma mulher seja silenciada dessa maneira”.

Ataque de Eduardo

A ofensiva de Eduardo ocorreu depois de Tebet criticar a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado em São Paulo. Salles retirou sua candidatura e passou a apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Tebet afirmou que o ex-ministro havia “se rendido ao centrão”.

Eduardo reagiu em vídeo. Além de chamar Tebet de “vassala do Lula”, afirmou que, depois das eleições, ela faria o contrário do que promete e “se prostitui por cargo, ministério e etc.”.

A campanha de Tebet classificou a insinuação sexual como uma forma “abjeta de violência política contra a mulher” e anunciou que acionaria o Ministério Público Eleitoral para apuração de possível violência política de gênero.

Para Tebet, o episódio ultrapassa uma agressão individual. A candidata argumentou que ataques desse tipo ajudam a afastar mulheres da vida pública e estabeleceu uma relação entre a normalização da violência verbal e formas mais graves de violência.

“Não é uma agressão a mim, é uma agressão às mulheres que fazem política”, afirmou. Segundo ela, torna-se difícil estimular a participação feminina “nesse ambiente onde a violência verbal é o primeiro passo para a violência letal”.

Justiça manda retirar vídeo

Tebet levou o caso à Justiça Eleitoral e obteve uma decisão favorável. O juiz Ronnie Herbert Barros Soares, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), determinou que a publicação fosse removida em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a 30 dias.

Na decisão liminar, o magistrado considerou que a manifestação ultrapassava os limites da crítica política, depreciava Tebet em sua condição de mulher e apresentava elementos capazes, em tese, de caracterizar violência política de gênero.

O episódio ocorre poucos dias depois de Eduardo Bolsonaro receber outra condenação do Supremo Tribunal Federal. Em 26 de setembro, o STF o condenou a um ano de detenção por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), além de multa. O julgamento terminou por 7 votos a 3.

O processo dizia respeito a uma publicação de 2021 na qual Eduardo associou falsamente um projeto de distribuição de absorventes apoiado por Tabata a interesses empresariais ligados a um suposto patrocinador da parlamentar.

Solidariedade a Tebet

O ataque também provocou manifestações de solidariedade de outras lideranças políticas. Marina Silva e Tabata Amaral condenaram o uso de insinuações sexuais para atacar mulheres que ocupam espaços de poder. Tabata destacou justamente a condenação de Eduardo no processo movido por ela.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também saiu em defesa de Tebet, a quem definiu como uma “mulher honrada”. Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, condenou as declarações e afirmou que ataques dessa natureza são incompatíveis com o ambiente democrático.

O caso colocou novamente no centro da campanha paulista o debate sobre violência política de gênero e os limites da disputa eleitoral. Desta vez, além da reação política de Tebet, houve uma resposta concreta da Justiça Eleitoral: o TRE-SP determinou a retirada da publicação por entender, em decisão liminar, que seu conteúdo extrapolou a crítica política e atingiu a candidata em sua condição de mulher.

Fonte: Brasil 247

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