Haddad chama de “vexame” queda de São Paulo na educação e promete recuperar ensino público
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, classificou como um “vexame” a deterioração da posição paulista nos indicadores de qualidade do ensino médio e defendeu uma profunda reformulação da educação estadual. As declarações foram feitas durante o último debate com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), promovido pela TV Globo antes do primeiro turno das eleições.
O dado usado por Haddad encontra respaldo nos indicadores oficiais. Em 2021, a rede estadual paulista registrou nota 4,4 no Ideb do ensino médio, ficando atrás apenas de Paraná e Goiás. Em 2025, a nota caiu para 4,3 e São Paulo recuou sete posições, chegando ao 10º lugar entre os estados.
Haddad defendeu que São Paulo volte a ocupar as primeiras posições nacionais e associou a recuperação da educação a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico. Segundo ele, não será possível reindustrializar o estado e atrair investimentos de maior complexidade tecnológica sem mão de obra qualificada.
O candidato propôs para o ensino médio paulista um modelo inspirado na experiência dos Institutos Federais, combinando a formação acadêmica tradicional com educação profissional e tecnológica.
Alfabetização também vira alvo de Haddad
O ex-ministro da Educação também confrontou Tarcísio sobre os resultados da alfabetização. Haddad afirmou que 61% das crianças paulistas estavam alfabetizadas na idade certa, enquanto a média brasileira chegava a 66%.
Os números estão corretos. Segundo o Indicador Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação, São Paulo alcançou 61% em 2025, cinco pontos percentuais abaixo da média nacional. O indicador paulista avançou em relação aos 52% registrados em 2023 e aos 58% de 2024, mas permaneceu abaixo do resultado do país.
Tarcísio rebateu mencionando o Selo Ouro do MEC recebido por São Paulo por suas políticas de alfabetização. Haddad afirmou desconhecer a certificação e disse preferir analisar os indicadores oficiais de aprendizagem. O selo foi criado pelo governo do presidente Lula e São Paulo efetivamente recebeu a distinção.
O confronto expôs duas dimensões diferentes da política educacional: enquanto Tarcísio destacou o reconhecimento concedido pelo MEC às políticas implementadas pelo estado, Haddad enfatizou o resultado final de alfabetização, que permanece abaixo da média brasileira.
Inclusão de estudantes com deficiência
Haddad também criticou as condições oferecidas pela rede estadual às crianças e adolescentes com deficiência. Segundo o candidato, faltam profissionais qualificados e atendimento especializado suficiente para garantir a inclusão plena desses estudantes.
Ele relatou casos em que mães precisam permanecer nas escolas durante o período de aula para acompanhar os filhos, situação que, em sua avaliação, revela a insuficiência da estrutura oferecida pelo poder público.
Haddad defendeu uma rede capaz de acolher esses estudantes com profissionais especializados, permitindo às famílias trabalhar e desenvolver suas atividades sem assumir responsabilidades que deveriam ser atendidas pela estrutura educacional.
Saúde e hospitais-dia
Na saúde, Haddad afirmou que São Paulo não acompanhou no mesmo ritmo a redução nacional das filas do Sistema Único de Saúde e defendeu ampliar a utilização de hospitais-dia, destinados a procedimentos que não exigem internações prolongadas.
O candidato também destacou investimentos federais realizados em São Paulo por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e argumentou que uma parceria mais estreita entre os governos estadual e federal poderia acelerar a expansão da infraestrutura de saúde.
Uma das principais propostas apresentadas foi a modernização da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde, a Cross, responsável por organizar encaminhamentos e vagas na rede paulista.
Haddad afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia e inteligência artificial para melhorar a regulação do SUS paulista e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.
Agência contra o crime organizado
Na segurança pública, Haddad propôs criar uma agência especializada no enfrentamento às facções criminosas, com integração entre as forças estaduais, a Polícia Federal e a Receita Federal.
A ideia, segundo o candidato, é aumentar o compartilhamento de informações e concentrar esforços de inteligência na investigação das estruturas financeiras e operacionais das organizações criminosas.
Haddad também propôs utilizar novas tecnologias para facilitar a relação entre a população e as forças de segurança, inclusive permitindo o encaminhamento de informações relacionadas a boletins de ocorrência por aplicativos como o WhatsApp.
O debate da Globo foi o último confronto direto entre Haddad e Tarcísio antes do primeiro turno. Educação, saúde e segurança estiveram entre os principais temas discutidos, ao lado de privatizações, responsabilidade fiscal e relações dos candidatos com seus respectivos aliados nacionais.
Na educação, porém, Haddad concentrou sua ofensiva em um indicador particularmente sensível para o governo estadual: apesar de São Paulo possuir a maior economia do país, sua rede estadual chegou a 2025 ocupando apenas a 10ª posição no Ideb do ensino médio.
Fonte: Brasil 247