Aumentam os registros de estupro em SP, mostra levantamento
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O estado de São Paulo registrou 10.217 casos de estupro entre janeiro e agosto de 2026, alta de 6% em relação aos 9.639 registros do mesmo período de 2025. Só em agosto, os casos passaram de 1.253 para 1.307, aumento de 4,3%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgados nesta quarta-feira (30).
A capital paulista teve crescimento ainda maior. Foram 2.190 registros de estupro nos oito primeiros meses de 2026, contra 1.948 no mesmo intervalo do ano anterior, alta de 12,4%. Em agosto, o número avançou de 243 para 283 ocorrências, uma elevação de 17,7%.
Os dados da SSP mostram um movimento diferente em outros indicadores criminais no acumulado do ano. Homicídios dolosos caíram 8,2% no estado, latrocínios recuaram 37,2%, roubos diminuíram 17,5% e os furtos também registraram redução.
Homicídios caem no acumulado, mas aumentam em agosto
São Paulo registrou 1.549 homicídios dolosos de janeiro a agosto de 2026, ante 1.688 no mesmo período do ano anterior. A diferença representa queda de 8,2%.
A comparação mensal, por outro lado, mostra alta. O número passou de 193 homicídios em agosto de 2025 para 200 no mesmo mês deste ano, crescimento de 3,6%.
Na capital paulista, a tendência também muda conforme o intervalo analisado. O acumulado caiu de 350 para 304 homicídios, redução de 13,1%. Em agosto, houve aumento de 36 para 39 casos, equivalente a 8,3%.
Latrocínios recuam 37,2% no estado
O número de vítimas de latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte, apresentou queda expressiva no acumulado de janeiro a agosto.
O estado contabilizou 59 vítimas em 2026, ante 94 no mesmo período de 2025, redução de 37,2%. Na cidade de São Paulo, o número caiu de 26 para 20, recuo de 23%.
A leitura apenas de agosto mostra direção oposta. O total estadual aumentou de oito vítimas em 2025 para 12 em 2026. Quatro mortes ocorreram na capital, contra duas no mesmo mês do ano anterior.
Feminicídios ficam próximos do nível de 2025
Os registros de feminicídio permaneceram praticamente estáveis no acumulado estadual. São Paulo contabilizou 168 casos entre janeiro e agosto de 2025 e 170 no mesmo período deste ano.
No recorte de agosto, os registros avançaram de 15 para 19.
Na capital, o acumulado apresentou queda de 19%, de 42 para 34 casos. O mês de agosto, por sua vez, teve sete feminicídios em 2026, ante três no mesmo período do ano passado.
A SSP também informou aumento nas prisões e apreensões relacionadas à violência doméstica. O número passou de 1.865 nos oito primeiros meses de 2025 para 2.487 em 2026, crescimento de 33,4%.
A delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), afirmou que as polícias Civil e Militar ampliaram a coordenação das ações voltadas ao enfrentamento desse tipo de crime.
“Esse é um fenômeno complexo, que envolve aspectos sociais, familiares e culturais, podendo se manifestar de diferentes formas, o que exige estratégias específicas de prevenção e proteção”, afirmou.
Roubos caem para menos de 100 mil no acumulado
Os registros de roubo apresentaram queda tanto no mês quanto no acumulado.
Em agosto, o estado contabilizou 10.556 ocorrências, ante 13.235 no mesmo mês de 2025. A redução chegou a 20,2%. Segundo a SSP, esse foi o menor número para um mês de agosto desde o início da série histórica, em 2001.
Entre janeiro e agosto, os roubos caíram de 112.766 para 93.001 casos, redução de 17,5%. Pela primeira vez desde o início da série, o indicador ficou abaixo de 100 mil ocorrências nesse intervalo do ano.
Furtos também apresentam redução
Os furtos em geral recuaram de 45.670 registros em agosto de 2025 para 37.023 no mesmo mês de 2026. A queda chegou a 18,9%.
Os furtos de veículos passaram de 7.204 para 6.855 casos, redução de 4,8%. Segundo a SSP, os dois indicadores chegaram ao segundo menor patamar da série histórica iniciada em 2001.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu as reduções aos trabalhos de policiamento e investigação.
“As quedas dos índices são resultado da atuação diária das polícias nas ruas e do trabalho de investigação. A prisão de criminosos e a retirada de armas e veículos usados em ações criminosas ajudam a interromper a atuação desses criminosos. Nosso objetivo é ampliar esse trabalho e garantir mais segurança para a população”, afirmou.
Fonte: Brasil 247