Mercado imobiliário do ES atinge topo em dez anos, mas começa a desacelerar
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Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 18:03
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O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Espírito Santo divulgou, na tarde desta quarta-feira (30), o Censo Imobiliário do primeiro semestre de 2026. Trata-se da velha história do copo meio cheio e do copo meio vazio. O lado positivo é que o total de unidades em construção chegou a 21.311, o maior desde julho de 2016 e o dobro da quantidade registrada no primeiro semestre de 2020: 10 mil. Muito embora ainda esteja bem abaixo do topo histórico, 36.461 unidades em obra, em 2011, é um bom número.
Por outro lado, a velocidade de vendas está menor. No segundo semestre de 2025, de cada 100 imóveis à venda no mercado de médio e alto padrão, foram vendidos 5,6 por mês. Nos primeiros seis meses de 2026, esse índice caiu para 5,4%. No econômico, saiu de 6,4% para 5,6%. Trata-se de um mercado considerado equilibrado: não está aquecido, mas também não é recessivo. Nos imóveis comerciais, a situação segue ruim, com uma velocidade de vendas de 3,3%, mesmo em um cenário com poucos lançamentos há muitos anos. Os dados levam em consideração os imóveis novos de Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica e Viana.
“Está girando menos do que no ano passado e muito menos do que vimos há dois anos, quando a velocidade de vendas chegou a superar os 10%. É um mercado que consideramos normal, que fica entre 5% e 6%, mas é um processo de desaceleração. Estamos há muito tempo com juros muito altos e o período eleitoral, ainda mais com essa polarização, atrapalha”, explicou Eduardo Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon.
Os incorporadores também pisaram no freio. No primeiro semestre de 2025, o valor geral de vendas lançado foi de R$ 3,25 bilhões. No primeiro semestre de 2026: R$ 2,65 bi. Queda de 18,9%. As vendas, por sua vez, caíram de R$ 2,95 bilhões para R$ 2,7 bi. Encolhimento de 8,5%. Os distratos mais que dobraram: de R$ 340 milhões, no segundo semestre passado, para R$ 740 milhões, no começo de 2026.
Muito embora estejamos em desaceleração, os estoques seguem saudáveis. Das mais de 20 mil unidades em obra, 72,8% estão vendidas, em linha com o esperado, que é acima dos 70%. Em Vitória e Vila Velha os percentuais superam os 75%. “O que temos, olhando para a década, é uma expansão que está se mostrando sustentada. Há uma desaceleração em 2026, mas nada que possa ser considerado um grave problema. Trata-se de um movimento natural de mercado. Vamos acompanhar, principalmente as taxas de juros, para entender o que acontecerá daqui para frente”, assinalou Borges.
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Abdo Filho
Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.
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