PF abre inquérito sobre ataques a símbolos religiosos após determinação do STF
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar ataques e atos de vandalismo contra símbolos religiosos em diferentes estados, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino anunciada nesta quarta-feira (30).
A corporação fez uma análise inicial e identificou elementos para instaurar a apuração, que ficará sob responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). Dino enviou o caso à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de reunir relatos sobre ocorrências contra imagens católicas e espaços ligados a religiões de matriz africana.
O ministro afirmou ter recebido relatos de diferentes regiões do país e classificou o conjunto dos episódios como uma “onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas”. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias dos casos, identificar responsáveis e verificar eventual relação entre as ocorrências.
Na decisão, Dino apontou indícios de crimes como ultraje a culto, na modalidade de vilipêndio, incêndio, injúria qualificada por elemento religioso, ameaça, furto qualificado, dano e violação de domicílio. O ministro também citou normas que punem condutas discriminatórias e atos de violência contra celebrações e manifestações religiosas.
Casos em diferentes estados
Entre os episódios citados pelo ministro estão ataques registrados na Bahia, no Paraná, em Mato Grosso, no Pará, no Rio Grande do Sul, em Alagoas e em Minas Gerais.
Na Bahia, imagens de santas foram destruídas em duas igrejas de Salvador. Em Santo Amaro, houve denúncia sobre a destruição de um assentamento de Exu em um terreiro.
No Paraná, uma loja de artigos religiosos em Londrina sofreu três ataques à fachada. Estátuas de São Miguel Arcanjo, Nossa Senhora de Lourdes, Santa Luzia, Carlo Acutis e Santa Rita de Cássia foram destruídas.
Em Mato Grosso, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em uma capela de Jauru foi quebrada com um machado. Outra estátua da santa também sofreu vandalismo em Cuiabá.
No Pará, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada às margens da BR-163, em Novo Progresso, foi incendiada e destruída.
Também há registros de destruição de estátuas de anjos em uma catedral de Rio Grande, no Rio Grande do Sul; vandalismo contra uma imagem de Nossa Senhora em Maceió, em Alagoas; e invasão a um terreiro de umbanda em Esmeraldas, em Minas Gerais, com destruição de orixás e furto de objetos.
Atuação nacional da PF
Dino determinou que a PF conduza a investigação a partir da repercussão interestadual dos casos e da necessidade de uma atuação uniforme. A apuração poderá ficar centralizada ou dividida entre órgãos responsáveis pela persecução penal, conforme a evolução dos trabalhos.
A medida busca organizar os relatos recebidos pelo STF, avaliar se os ataques seguem um padrão e apurar se houve motivação discriminatória ou articulação entre os episódios.
Contexto eleitoral e Nossa Senhora
A investigação ocorre em meio à disputa judicial e eleitoral envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Nos últimos dias, conteúdos em redes sociais associaram o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
O presidenciável da extrema direita negou essa intenção e acionou a Justiça Eleitoral contra as publicações. O tema chegou ao TSE e ao STF em decisões envolvendo a circulação desses conteúdos nas redes sociais.
Ao enviar o caso à PF e à PGR, Dino afirmou que a investigação deve preservar a liberdade religiosa e apurar possíveis crimes contra manifestações de fé. A PF agora reunirá informações sobre os casos citados, ouvirá envolvidos e poderá pedir novas medidas judiciais.
Fonte: Brasil 247