Simões anuncia R$32 milhões para grandes clubes e nada para as famílias atingidas pelas Bets

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Por Luizinho — Esquerda Diário

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Sem investir em educação, esporte, lazer e saúde e tentando privatizar onde o sol toca, Simões anuncia R$32 milhões para clubes mineiros como forma de supostamente apoiar o futebol.

O governador Mateus Simões (PSD) anunciou nesta terça-feira (28) que o Estado de MG irá destinar R$32 milhões de reais para o América, Atlético e Cruzeiro, e que deve negociar com Athletic e o Uberlândia. Segundo ele, esse patrocínio servirá como forma de apoio devido a proibição das Bets, e devem estampar os logos da CEMIG e CODEMGE em seus uniformes, e em contrapartida os times deverão investir no futebol feminino e disponibilizar ingressos para estudantes de baixa renda em jogos específicos.

Como bem têm denunciado trabalhadores da saúde e da educação, os salários dos servidores e os serviços da população seguem à míngua. Para nós, não há dinheiro, como já adiantou inclusive o candidato ao governo Cleitinho Azevedo (Republicanos), que se comprometeu a não reajustar salários. As famílias atingidas pelos endividamentos aprofundados pelas Bets, por Simões, que se virem. Ele se preocupa apenas com os grandes empresários órfãos de financiamentos às custas da população.

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Para além da falta de informação do contrato e certeza das contrapartidas, Simões utiliza as empresas mineiras como vitrine e meio para transferir milhões para clubes já milionários. Como é o caso do Cruzeiro, gerido pelo bilionário Pedro Lourenço e do Atlético Mineiro geridos pelos também bilionários Ricardo Guimarães, Renato Salvador e família Menin, e esses times receberão R$15 milhões cada.

Essa justificativa de apoio e investimento no futebol mineiro também não se sustenta em sua política, por exemplo: para o ano de 2026 o orçamento previsto para desenvolvimento do esporte escolar em MG é de R$ 12 milhões, menos do que o Cruzeiro receberia, em um estado onde 23% das escolas estaduais não possuem quadra para a prática esportiva, e das que possuem, muitas estão em péssimas condições, além de estar entre os estados com a pior remuneração dos professores, o que inclui os profissionais em educação física. Já o orçamento previsto para o esporte em geral, como promoção dos jogos mineiros, bolsa atleta, apoio a ações esportivas, entre outros, é de aproximadamente R44 milhões de reais, ultrapassando por pouco os R32 milhões destinados a três grandes clubes, o que para um estado como o de Minas Gerais é pouco para desenvolver plenamente a prática esportiva.

Na coletiva de imprensa em que anunciou o pagamento, Simões disse que “CEMIG e CODEMGE são empresas que conversam com o povo mineiro e melhor do que ninguém representam a nossa Minas Gerais”, enquanto tentava desde 2024 privatizar a CEMIG e outras estatais mineiras. Simões manteve a política de Zema (NOVO) de avançar com as privatizações e entregas para a iniciativa privada, tendo recentemente anunciado o seu interesse em privatizar a GASMIG, que é gerida pela própria CEMIG. Podemos citar outros ataques que seu governo promoveu durante todos esses anos, como as entregas das escolas públicas, da COPASA, das estradas para a iniciativa privada.

Vemos que não passa de demagogia sua falácia de investimento no esporte mineiro, haja visto as condições das escolas e o salário dos profissionais em educação física. E quanto às empresas estatais mineiras, busca a todo custo entregá-las para o capital privado. Simões é um labe botas de empresários que está aproveitando seus últimos momentos no governo do Estado de MG para reafirmá-lo como o balcão de negócios da burguesia, e que o esporte, a saúde, a educação, as estatais e as famílias atingidas pelas Bets amarguem sua precarização.

Coletiva de imprensa de Mateus Simões. Foto: O Tempo Sports

Fonte: Esquerda Diário

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