PF apreende R$ 32,2 milhões em operações contra crimes eleitorais em 2026
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 32,2 milhões em dinheiro e bens durante investigações de crimes eleitorais em 2026, segundo relatório da corporação obtido pelo Metrópoles. Do total, R$ 19 milhões estavam em espécie e outros R$ 13,2 milhões correspondem a bens recolhidos pelos agentes.
Segundo os dados, o montante apreendido neste ano já supera em mais de três vezes o registrado durante todo o período eleitoral de 2022. Roraima, Tocantins e Pará aparecem entre os estados com os maiores valores recolhidos pela PF.
“Os dados indicam que o montante supera em mais de três vezes o registrado em todo o ano eleitoral de 2022. Entre os estados, Roraima, Tocantins e Pará concentram os maiores valores apreendidos neste ano.”
As investigações conduzidas pela PF abrangem diferentes crimes previstos na legislação eleitoral, entre eles falsidade ideológica eleitoral, falsificação de documentos e corrupção eleitoral, que inclui a compra de votos. A corporação também apura casos de violência política de gênero e raça.
Casos recentes de apreensão
Em Roraima, os policiais apreenderam cerca de R$ 4 milhões em dinheiro durante uma abordagem realizada em 4 de setembro. O valor estava com o empresário Luiz Brito e o policial militar aposentado José Bertoldo Peres Júnior.
Brito, que atua no setor da construção civil e fundou uma empresa de obras de infraestrutura, afirmou na ocasião que o dinheiro seria utilizado na compra e em investimentos em terrenos.
Ainda em Roraima, o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) foi preso em 25 de setembro durante a Operação Cunhambebe, que investiga suspeitas de crimes eleitorais.
Na terça-feira (29), o candidato a deputado federal Manoel Pioneiro (Republicanos-PA) foi preso em flagrante durante uma investigação sobre suspeitas de corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro. A prisão ocorreu depois que ele sacou R$ 300 mil em espécie em uma agência bancária de Belém, no Pará.
Apreensões em 2026
Apesar do volume registrado neste ano, as apreensões ainda estão abaixo do total contabilizado nas eleições municipais de 2024. Naquele ano, foram recolhidos R$ 63 milhões em dinheiro e bens. Em 2022, o total havia sido de R$ 10 milhões.
Roraima acumula R$ 4,60 milhões em bens apreendidos em 2026. Tocantins aparece na sequência, com R$ 4,44 milhões, enquanto o Pará soma R$ 3,28 milhões.
A quantidade de dinheiro vivo recolhida pela PF também aumentou em setembro. O valor passou de R$ 1,27 milhão em 2022 para R$ 8,57 milhões em 2024 e alcançou R$ 12,34 milhões neste ano.
“Além disso, a PF mapeou nove operações voltadas à investigação de interferência de facções criminosas nas eleições. As ações ocorreram no Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul.”
Inquéritos e operações
A PF abriu 1.215 inquéritos para apurar crimes eleitorais em 2026. O Rio de Janeiro lidera a lista, com 140 investigações, seguido pelo Maranhão, com 121, e pelo Ceará, com 120.
Ao todo, 49 operações relacionadas a crimes eleitorais foram homologadas neste ano. O Ceará aparece na primeira posição, com nove operações.
A corporação também concluiu 1.513 inquéritos. A duração média das investigações foi de 404 dias. Em 92% dos casos houve uma conclusão: em 38% deles, a autoria foi identificada, enquanto 53% terminaram com a conclusão de que não houve crime.
Fonte: Brasil 247