Maioria ainda não definiu voto para Senado e Câmara a quatro dias da eleição, aponta Datafolha
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A quatro dias das eleições, a definição do voto para o Legislativo ainda está distante para a maior parte do eleitorado brasileiro. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (30) mostra que 59% dos eleitores ainda não sabem em quem votar para o Senado, enquanto 57% não escolheram seus candidatos a deputado federal nem a deputado estadual.
Os dados foram divulgados pela Folha de S.Paulo. O levantamento ouviu 2.016 brasileiros com 16 anos ou mais entre segunda-feira (28) e terça-feira (29), por meio de entrevistas presenciais em pontos de fluxo populacional. A margem de erro para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Na disputa pelo Senado, em que cada eleitor poderá escolher dois candidatos neste ano, 14% afirmam ter definido apenas o primeiro voto. Outros 27% dizem já ter escolhido os dois nomes. A soma dos que ainda não tomaram nenhuma decisão chega a 59%.
Para deputado federal, 43% dos entrevistados afirmam já saber em quem votar, contra 57% que continuam sem candidato definido. A mesma divisão aparece na eleição para as Assembleias Legislativas: 43% decidiram o voto para deputado estadual e 57% ainda não.
Jovens concentram maior indefinição para o Senado
A dificuldade de escolher os candidatos ao Senado é especialmente elevada entre os eleitores mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, 75% ainda não definiram o voto. Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, são 69%.
O percentual diminui conforme aumenta a idade. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, metade, 50%, ainda não sabe em quem votar para as duas vagas em disputa.
As margens de erro variam entre os segmentos. No grupo de 16 a 24 anos, são seis pontos percentuais, enquanto entre os eleitores de 25 a 34 anos e aqueles com 60 anos ou mais são cinco pontos.
A renda também revela diferenças expressivas. Entre os brasileiros cuja renda familiar chega a dois salários mínimos, 66% ainda não escolheram candidatos ao Senado. No grupo que recebe mais de dez salários mínimos, a proporção cai para 39%.
Eleitores de PT e PL apresentam graus diferentes de definição
O Datafolha também cruzou a definição do voto legislativo com a preferência partidária declarada pelos entrevistados.
Entre os eleitores que apontam o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como sua legenda preferida, 56% ainda não decidiram em quem votar para o Senado. Entre aqueles que dizem preferir o PL, de Flávio Bolsonaro, a proporção é de 39%.
A diferença aparece também na escolha para a Câmara dos Deputados. Entre os simpatizantes do PT, 54% ainda não escolheram um candidato a deputado federal. No eleitorado que declara preferência pelo PL, são 40%.
Na disputa para deputado estadual, 54% dos eleitores identificados com o PT permanecem sem candidato definido, ante 41% entre aqueles que citam o PL.
Indefinição também é maior entre eleitores de menor renda
O padrão verificado para o Senado se repete nas eleições proporcionais. Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, 61% ainda não escolheram candidato a deputado federal.
No segmento com renda superior a dez salários mínimos, o percentual de indefinição cai para 39%.
Para deputado estadual, 59% dos entrevistados que recebem até dois salários mínimos ainda não definiram o voto, enquanto o índice é de 44% entre os eleitores das famílias com renda superior a dez salários mínimos.
Os números indicam que, às vésperas da votação, as escolhas para presidente e outros cargos majoritários não necessariamente se traduzem em decisões consolidadas para o Congresso Nacional e para as Assembleias Legislativas.
Senado ganha peso na disputa política nacional
A eleição para o Senado passou a ocupar espaço central na estratégia dos principais campos políticos porque a Casa participa da análise de indicações para tribunais superiores e tem competência constitucional para processar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Folha relata que setores da direita transformaram a composição do Senado e as críticas ao Supremo em temas da campanha eleitoral. Levantamento do jornal publicado nesta quarta-feira mostra que a posição sobre eventuais processos contra ministros da Corte divide candidatos ao Senado em diferentes estados.
Em São Paulo, por exemplo, pesquisa espontânea recente do Datafolha também registrou elevado grau de indefinição na corrida pelas duas vagas: 61% dos votos para o Senado ainda não estavam definidos no levantamento estadual divulgado nesta semana.
O cenário nacional mostrado agora pelo instituto reforça que uma parcela expressiva dos eleitores chegará aos últimos dias de campanha ainda escolhendo quem deverá representar seus estados no Senado e suas unidades da Federação na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas.
Fonte: Brasil 247