Vorcaro dirá à PF que mensagens sobre ‘A Turma’ eram ‘meros desabafos’
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A defesa do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro pretende argumentar à Polícia Federal nesta quarta-feira (30) que mensagens encontradas em seu celular e incorporadas ao inquérito sobre o grupo conhecido como “A Turma” não demonstram a existência de uma estrutura destinada a intimidar adversários. Segundo a estratégia preparada para o depoimento, as conversas seriam apenas “meros desabafos”. A informação é da jornalista Débora Bergamasco, da CNN Brasil.
Vorcaro deve ser ouvido remotamente pela PF, às 14h, diretamente da Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Seu pai, Henrique Vorcaro, também preso, tem depoimento previsto para as 16h.
Além de minimizar o conteúdo das mensagens, o ex-banqueiro deverá sustentar que o inquérito não apresenta vítimas das supostas ações de “A Turma”. A defesa também pretende recorrer aos depoimentos de testemunhas já ouvidas pela PF para argumentar que algumas delas afirmaram não manter conversas com Vorcaro.
De acordo com a versão que será apresentada aos investigadores, determinadas orientações encontradas nas mensagens diziam respeito a pagamentos ou ao registro de boletins de ocorrência contra pessoas consideradas detratoras, e não a ações clandestinas de intimidação.
A investigação da PF, porém, apresenta uma interpretação diferente. Segundo a corporação, “A Turma” seria uma estrutura ligada a Vorcaro destinada a intimidar adversários e atingir jornalistas. Em documentos da investigação divulgados pela Agência Brasil, a PF descreve o grupo como uma estrutura paralela de vigilância e coerção privada e afirma que Vorcaro desembolsava cerca de R$ 1 milhão mensais para mantê-la.
Outra frente da apuração envolve o grupo chamado “Os Meninos”. Os investigadores suspeitam que seus integrantes atuavam principalmente na área tecnológica, com ações que envolveriam invasões de sistemas, ataques cibernéticos, derrubada de perfis e monitoramento irregular de telefones e outros meios de comunicação.
Entre os elementos encontrados no celular de Vorcaro está uma conversa na qual o ex-banqueiro diz querer “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. A defesa deverá enquadrar manifestações desse tipo na tese de que se tratavam de desabafos privados, sem execução prática.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também deverá prestar esclarecimentos sobre o funcionamento dos grupos investigados. A PF apura a suspeita de que ele participava das conversas relacionadas a pessoas que, segundo a investigação, poderiam atuar contra críticos dos negócios da família.
Os depoimentos são considerados uma etapa relevante para a conclusão de um dos inquéritos relacionados ao Banco Master. Pai e filho estão presos desde março, e as oitivas já haviam sido adiadas anteriormente. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou ter obtido acesso ao conteúdo da investigação sobre “A Turma” na sexta-feira (25), o que teria permitido aos advogados preparar o depoimento.
Vorcaro também deverá aproveitar a oitiva para sinalizar novamente que poderia colaborar com as investigações sobre as suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master em “momento oportuno”.
Paralelamente, seus advogados pretendem reforçar perante o Supremo Tribunal Federal o pedido para que ele seja colocado em liberdade. A argumentação da defesa é que Vorcaro permanece preso há quase oito meses sem que tenha sido formalmente denunciado e que, no caso específico de “A Turma”, não haveria vítimas apontadas no inquérito.
A Polícia Federal, por sua vez, reúne mensagens, documentos e outros elementos para esclarecer se os grupos investigados constituíram uma estrutura organizada a serviço de interesses ligados ao ex-controlador do Banco Master. Em uma das linhas da investigação, a corporação identificou suspeitas de acessos irregulares a procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal, da própria PF, de polícias civis e do Banco Central mediante o uso de credenciais funcionais de terceiros.
Fonte: Brasil 247