Anitta indica reportagem do Brasil de Fato sobre retornados da Costa do Ouro, tema da Grande Rio em 2027

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Por Redação — Brasil de Fato

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A cantora Anitta, rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio, indicou aos seus seguidores uma reportagem em vídeo do Brasil de Fato sobre o povo Tabom, comunidade formada por afro-brasileiros que retornaram à antiga Costa do Ouro, atual Gana, depois de viverem no Brasil. A história integra o enredo que a escola de Duque de Caxias (RJ) levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027.

A recomendação foi feita em um vídeo publicado nesta terça-feira (29) nas redes sociais da cantora. Anitta afirmou que pretende compartilhar, ao longo dos ensaios, indicações de filmes, documentários e livros para que o público conheça melhor a história que será apresentada pela escola.

“A dica de hoje tá no YouTube, super rápido, simples, de graça para você assistir. Fala bastante dessa história. Nosso enredo desse ano fala de Sankofa, os retornados da Costa do Ouro”, disse Anitta.

Ao apresentar a reportagem, Anitta também destacou que a história envolve Gana, a escravização e a exploração de africanos, mas também “luta, vitória” e diferentes camadas da trajetória dos retornados.

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Desenvolvido pelo carnavalesco Antonio Gonzaga, o enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade” parte da trajetória dos afro-brasileiros que retornaram à África para abordar a cultura dos povos que formaram Gana e o processo de independência do país, em 1957, a primeira da África Subsaariana. A Grande Rio será a terceira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, em 9 de fevereiro.

A reportagem indicada por Anitta, de Pedro Stropasolas, foi publicada pelo Brasil de Fato em novembro de 2025 e abriu uma série especial do Programa Bem Viver sobre a herança deixada pelos retornados na África. Gravada em Accra, capital de Gana, a produção mostra a comunidade Tabom e as marcas da presença afro-brasileira no país.

Assista

O fluxo de retorno se intensificou após a Revolta dos Malês, em 1835, em Salvador (BA), maior revolta de escravizados da história do Brasil. Parte dos primeiros Tabom, muçulmanos de etnia hauçá, teria sido deportada à força pelo Império por participar do levante. Outros deixaram a Bahia para escapar da perseguição a negros libertos, vistos pelas autoridades como potenciais articuladores de novas rebeliões.

Segundo dados compilados pela pesquisadora Mônica Lima e Souza, 993 pessoas retornaram à África entre 1835 e 1837, período de maior incidência. Ao todo, cerca de 8 mil afro-brasileiros fizeram esse caminho a partir do fim do século 18, conforme estimativa de Carlos Fonseca no livro Os Retornados.

Em Accra, os recém-chegados foram acolhidos pelo povo Ga e receberam terras no bairro de Jamestown, onde construíram suas casas na rua que hoje é conhecida como Brazil Lane. Segundo a tradição oral, o nome Tabom teria surgido do “tá bom”, expressão que os recém-chegados usavam nas conversas por ainda não dominarem a língua local.

A influência brasileira permanece em diferentes aspectos da vida da comunidade. Sobrenomes como Ribeiro, Lima e Da Costa, pratos como a feijoada e o ritmo agbê, presente no culto a Xangô, fazem parte desse legado.

“Temos orgulho da nossa história. É triste que tenham levado nossos tataravós como escravos, mas, no fim, eles voltaram vitoriosos, com muitas habilidades e conhecimentos para ensinar ao povo de Gana”, disse à reportagem Roland Boye, da sexta geração de Tabom.

O mestre percussionista Eric Morton, guardião do agbê, também explicou à reportagem o ritual fúnebre em que a comunidade canta a cantiga baiana “Viva Iáiá”. “Quando morremos aqui, nosso corpo pode ficar, mas acreditamos que a alma retorna ao Brasil, já que somos brasileiros”, afirmou.

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Fonte: Brasil de Fato

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