P-80 deixa Singapura rumo ao Brasil e reforçará produção da Petrobras no pré-sal
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A plataforma P-80 iniciou nesta quarta-feira (30) sua viagem de Singapura para o Brasil, onde será instalada no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A unidade, que tem início de produção previsto para 2027, terá capacidade para extrair 225 mil barris de petróleo por dia e processar diariamente 12 milhões de metros cúbicos de gás natural.
A plataforma deixou o estaleiro Tuas Boulevard Yard. Batizada de Búzios 9, a P-80 será a nona unidade de produção destinada ao campo e integra uma nova geração de plataformas de grande capacidade da companhia.
A P-80 é a primeira de uma série de novas plataformas próprias da Petrobras a deixar o estaleiro. A próxima será a P-82, que está na fase final de construção e também será instalada em Búzios. As duas unidades têm previsão de começar a produzir em 2027.
Segundo a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, a unidade reúne avanços tecnológicos incorporados aos novos projetos da estatal.
“A P-80 se destaca não apenas pelo recorde de capacidade produtiva entre as plataformas próprias da Petrobras, mas também por reunir algumas das mais avançadas tecnologias e soluções digitais que garantem maior eficiência operacional e energética já incorporadas a um projeto da companhia”, afirmou.
Com capacidade nominal de 225 mil barris por dia, a P-80 ficará entre as plataformas de maior capacidade da indústria de petróleo mundial. O projeto também prevê processamento de até 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A Petrobras já havia definido essa escala de produção quando contratou a construção da unidade.
Nova geração de plataformas
A P-80 integra um conjunto de unidades de alta capacidade destinado à expansão da produção da Petrobras no pré-sal. Além dela e da P-82, estão previstos os projetos P-83, para Búzios, P-84, para Atapu, e P-85, para Sépia.
O planejamento mais recente da Petrobras prevê P-80, P-82 e P-83 entrando em operação em 2027. Já P-84 e P-85 estão previstas para os anos seguintes, nos campos de Atapu e Sépia, respectivamente.
Segundo a companhia, a adoção de projetos semelhantes para diferentes plataformas permite reduzir custos de construção, aumentar a produtividade nos estaleiros e ampliar a confiabilidade dos equipamentos. A padronização também busca diminuir riscos de engenharia e encurtar etapas necessárias ao desenvolvimento dos campos.
A Petrobras também vem adotando o deslocamento das plataformas para o Brasil com parte da tripulação já embarcada, estratégia voltada a acelerar a preparação dos sistemas para a entrada em operação após a chegada ao país.
Construção teve participação de estaleiro brasileiro
Parte da construção da P-80 ocorreu no Brasil. Os módulos de processo foram produzidos no estaleiro Seatrium BrasFELS, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. No caso da P-82, módulos foram fabricados no estaleiro Seatrium Aracruz, no Espírito Santo.
De acordo com a Petrobras, a participação dos estaleiros nacionais contribui para a geração de empregos, renda e qualificação profissional na indústria naval brasileira.
Outras etapas dos projetos foram executadas na China, em Singapura e na Indonésia. Posteriormente, os módulos foram transportados a Singapura, onde ocorreu a integração das estruturas e a conclusão das unidades.
As plataformas foram contratadas pelo modelo EPC — sigla em inglês para engenharia, suprimentos, construção e comissionamento. Nesse formato, a empresa contratada assume as diferentes etapas do projeto até a entrega da unidade pronta para operação.
Búzios concentra expansão da produção
O destino da P-80, o campo de Búzios, é um dos principais ativos da Petrobras e ocupa posição central nos planos de expansão da companhia no pré-sal. Localizado na Bacia de Santos, o campo reúne grandes reservas e recebeu sucessivas plataformas nos últimos anos.
Em agosto, segundo a Petrobras, Búzios registrou recordes de exportação de gás natural, superando 10 milhões de metros cúbicos por dia na média mensal e alcançando 14,1 milhões de metros cúbicos em um único dia.
A Petrobras opera o campo em parceria com as chinesas CNOOC e CNPC. A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) também participa do arranjo relacionado à produção da área.
A ampliação da infraestrutura faz parte da estratégia da estatal de elevar a produção de Búzios ao longo da década. A instalação das plataformas de maior capacidade aumenta o peso do campo na produção total da Petrobras e reforça sua participação nos projetos do pré-sal.
Fonte: Brasil 247