Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 5: resultados sobre padrões de desmatamento

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Por Philip Martin Fearnside — Amazônia Real

Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside

A evolução dos padrões de desmatamento de 2008 a 2021 é apresentada nos mapas da Figura 3. De modo geral, observa-se que o padrão difuso (ou seja, ocupação inicial) foi predominante e concentrou-se principalmente em áreas próximas a rios e em áreas que podem indicar novas frentes de desmatamento. Embora a área desmatada em células classificadas como difusas tenha aumentado ao longo dos anos, de 12,7 para 14,6 mil hectares de 2008 a 2021, como exemplificado na Tabela 3, esse montante observado em 2021 representou apenas 1,5% da área total desmatada, considerando todos os padrões (Figura 4).

Série “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.”
Figura 3. Mapas de classificação dos padrões de ocupação para os anos de 2008, 2013, 2017 e 2021 para a área de estudo (ou seja, município de Lábrea + zona de influência de 10 km).
Série “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.”
Figura 4. Evolução do número de células classificadas (%) e da proporção da área desmatada acumulada (%) para cada tipo de padrão de desmatamento nos anos de 2008, 2013, 2017 e 2021.
Série “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.”

Os padrões multidirecional e consolidado, que representam estágios avançados de ocupação, ocorreram principalmente na porção sul do município de Lábrea. Embora esses padrões apresentassem percentuais de células menores em comparação ao padrão difuso, juntos representaram 52,1%, 51,9%, 56,7% e 68,0% da área desmatada nos anos de 2008, 2013, 2017 e 2021, respectivamente (Figuras 3 e 4). Uma análise das áreas desmatadas dentro dessas células revelou um aumento percentual maior no desmatamento para o padrão consolidado entre 2017 e 2021. Ao longo de quatro anos, a área desmatada nas células consolidadas aumentou em 162,9 mil hectares, enquanto o padrão multidirecional apresentou um aumento de apenas 61,7 mil hectares durante o mesmo período e de 67,6 mil hectares de 2013 a 2017 (Tabela 3).

Os padrões linear e geométrico apresentaram dinâmicas semelhantes ao longo dos anos em relação ao número de células, com redução da área ao comparar os anos de 2008 e 2021, acompanhada de uma redução gradual nas células classificadas como linear e geométrica (Figura 4).

Como esses padrões estão relacionados aos estágios inicial e intermediário de ocupação, respectivamente, o aumento da área desmatada nas células implica uma transição para padrões em estágios mais avançados. Assim, ao longo dos anos, uma célula com padrão linear se transformou no padrão geométrico ou espinha de peixe, e o padrão geométrico, por sua vez, progrediu para o padrão multidirecional ou consolidado. Observe que o padrão espinha de peixe apresentou um aumento significativo de 2008 a 2017. [1]

Notas

[1] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida & P.M. Fearnside. 2024. Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. Journal of Environmental Management 354:art. 120354.

Sobre os autores

Beatriz Figueiredo Cabral possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.

Aurora Miho Yanai é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.

Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.

Maria Isabel Sobral Escada possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.

Cláudia Maria de Almeida possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.

Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.

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Fonte: Amazônia Real

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