Quem está de verdade na disputa pela Câmara dos Deputados no ES (atualizado)

0

A Gazeta

Redes Sociais

Esqueci minha senha

Acesse aqui

Acesse aqui

Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 05:05

Públicado em 

Colunista

[email protected]

Este texto é daqueles para
guardar e cobrar o colunista mais à frente (precisamente, no dia 4 de outubro):
exercício de antecipação – com base em nosso conhecimento sobre a realidade
político-eleitoral capixaba e sobre os personagens envolvidos na disputa, bem
como apurações com fontes que entendem muito de eleições legislativas.

No começo de agosto, cheguei
a publicar uma coluna com este mesmo objetivo. De lá para cá, porém, a campanha
começou oficialmente, e houve alguns fatos importantes que alteram o cenário,
como a rejeição da candidatura de Gilvan da Federal (PL) pelo TRE-ES. O
essencial, porém, não mudou.

No Espírito Santo, só
meia-dúzia de partidos ou federações brigarão verdadeiramente pelas dez vagas
em disputa na bancada capixaba na Câmara dos Deputados. São eles, por ordem
alfabética: a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), a Federação União Progressista (União Brasil e PP), o Partido Liberal (PL), o  Podemos,  o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e
o Republicanos.

Esses seis partidos ou
federações lançaram chapas completas no Estado (com 11 candidatos a federal,
sendo pelo menos quatro mulheres). Com altíssima dose de realismo, podemos
dizer que são essas as chapas que têm chances verdadeiras de eleger pelo menos um
federal no Espírito Santo.

Pelo meu prognóstico,
analisando a composição das chapas e as possibilidades de votação total de cada
uma, as 10 vagas serão distribuídas da seguinte maneira.  Em negrito, marquei o número de eleitos que acredito ser mais provável em cada caso:

. Federação União
Progressista:
2 ou 3


. Partido Socialista
Brasileiro (PSB):
2


. Podemos: 1 ou 2


. Federação Brasil da
Esperança (PT/PV/PCdoB):
1 ou 2

. Partido Liberal (PL):
1 ou 2

. Republicanos: 0
ou 1

> Quer receber as publicações da Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui

Vale lembrar que, desde a eleição de 2018, partidos não
podem formar coligações nas disputas proporcionais (para vereadores, deputados
estaduais e deputados federais, caso aqui tratado). Isso significa que cada
partido ou federação precisa montar e registrar a própria chapa, sem contar com
a ajuda de terceiros.

Na eleição para a Câmara dos Deputados, o sistema eleitoral
de distribuição das vagas é o proporcional, baseado no quociente eleitoral
calculado em cada unidade da federação. Este é o resultado do número total de
votos válidos para deputado federal no estado dividido pelo número de vagas em
disputa (o tamanho da bancada daquele estado).

No Espírito Santo, dirigentes partidários e advogados
eleitoralistas projetam para o próximo domingo um quociente eleitoral de cerca
de 215 mil votos, ou um pouco menor (projeção de 2,1 milhões de votos válidos para
deputado federal, divididos por 10 cadeiras em jogo).

A chapa que atingir uma votação total superior a essa marca
garante uma cadeira na Câmara. A votação total da chapa corresponde à soma dos
votos nominais de todos os seus candidatos, mais os possíveis votos na legenda. 

Assim, 215 mil é o número mágico com que trabalham os partidos.
Mas, logicamente, o quociente poderá ser diferente, para mais ou mais para
menos, dependendo do número total de votos válidos, o qual, por sua vez, dependerá
de uma série de fatores, como o índice de abstenção. Este, por sua vez, depende
de outros fatores imponderáveis, como o ânimo da população e até o tempo que fará
no Espírito Santo no domingo (se chover, por exemplo, menos gente tende a votar). 

 

De todo modo, vamos trabalhar com essa estimativa de 215
mil votos. Nesse caso, ainda é possível que determinada chapa consiga eleger um
federal, nas sobras, se ultrapassar 172 mil votos (80% do quociente eleitoral)
e se o candidato em questão ultrapassar, individualmente, 43 mil votos (20% do quociente
eleitoral).

No mercado político
capixaba, a estimativa é a seguinte:


. para fazer 1
federal
(quociente eleitoral): pelo
menos 215 mil votos (sendo possível brigar
por uma vaga nas sobras, nas condições explicadas acima)

. para fazer 2
federais:
pelo menos 270 mil
votos

. para fazer 3
federais:
pelo menos 410 mil
votos

A outra conclusão
é a seguinte: “na real”, as nossas 10 cadeiras estão sendo disputadas por um
rol bastante restrito de candidatos, que não chega a 30 nomes.

 

Abaixo,
passo a especificar os nomes mais competitivos, com base em minhas informações
e avaliações ouvidas de um conjunto de fontes diretamente envolvidas no
processo.

. Federação União Progressista (União Brasil e PP): certamente fará 2 e é
a única chapa que tem chances reais de fazer 3 federais

 

Chances maiores de eleição: Da Vitória (PP), Marcelo
Santos (União) e Dr. Bruno Resende (União). Correndo por fora, estão Amaro Neto
(PP) e Messias Donato (União). Os cinco brigam pelas duas ou três vagas.

 

. PSB: chances muito grandes de fazer 2

 

Chances maiores de eleição: Tyago Hoffmann, Emanuela Pedroso
(Manu), Felipe Rigoni e Freitas. Correndo por fora, Dr. Victor, Rafael Pacheco
e Vitor de Angelo.

 

A chapa do partido do ex-governador Renato Casagrande (candidato ao
Senado) é a “chapa dos ex-secretários”, pois reúne um número sem precedentes de
ex-secretários de Estado. À exceção de Dr. Victor, que disputa a reeleição,
todos estavam no alto escalão do governo Casagrande e renunciaram aos
respectivos cargos em abril para se candidatarem.

 

É uma chapa muito nivelada, com enorme concorrência interna. Difícil
cravar quem tem mais chances… Mas é possível apontar certo favoritismo para
os quatro primeiros.

 

No PSB, há quem sonhe em fazer 3 federais… Mas isso só será possível no
caso de um resultado muito ruim de PL e Republicanos (se essas duas chapas não
elegerem ninguém).

 

. Podemos: seguramente fará 1, com chances reais de chegar a 2


Chances maiores de eleição: Serginho Vidigal e Gilson
Daniel. Se o Podemos fizer dois, serão eles. Se fizer um, ambos brigarão por
essa vaga.

 

. Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): fará seguramente 1
federal, podendo chegar a 2

 

Chances maiores de eleição: João Coser é apontado como
favorito. Jack Rocha e Iriny Lopes brigam pela eventual segunda vaga, com certo
favoritismo para a primeira. Todos são do PT.

 

.  PL: mais provável que faça 1


Chances maiores de eleição: Lucas Polese. O desfalque de
Gilvan prejudicou significativamente as chances de a chapa fazer 2. Embora pouco
provável, isso ainda poderá ocorrer, dependendo do desempenho das outras
chapas, do voto de legenda no PL e da votação do substituto de Gilvan, que
herdou o número de urna dele.

.  Republicanos: mais provável que
consiga fazer um, mas, deste seleto rol, é a única chapa apontada com risco de
não eleger ninguém

 

Chances maiores de eleição: Erick Musso, Coronel Ramalho,
Manato, Capitão Assis e Agente Dias.

Com as desfiliações de Amaro e Messias em março e a perda de Evair (que virou
candidato a senador) em agosto, a chapa perdeu competitividade. Mas poderá garantir
um federal no embalo da campanha de Pazolini a governador e com a ajuda política da
Prefeitura de Vitória. A prefeita Cris Samorini (PP), por exemplo, declarou apoio a Erick. 

 

Entre os que ficaram,
vê-se uma chapa muito nivelada. Difícil dizer quem tem maiores chances entre
esses cinco.

Observação: surpresas sempre
pode haver

Todos os nomes citados acima têm chances, maiores ou menores, de
beliscar uma das dez vagas na Câmara. Não se pode descartar, por óbvio, uma
possível surpresa: alguém que tenha escapado a meu radar e que não tenha sido
aqui incluído ou incluída. 

Olho neles

Entre os nomes citados acima, dois talvez não chamem tanto a atenção da
mídia, mas, segundo vários relatos, possuem chances verdadeiras de pegar uma
vaga.

 

Um deles é o Dr. Bruno Resende (União), médico oncologista e deputado
estadual no primeiro mandato. Ocorre que ele se tornou uma grande aposta para “varrer
votos” nos municípios do Sul do Estado, onde desfila praticamente sozinho.

 

De todos os nomes citados acima, ninguém, além do médico de Cachoeiro,
tem reduto eleitoral fixo no Sul. Além disso, ele obteve o apoio de ninguém menos
que o prefeito cachoeirense, Theodorico Ferraço (PP), membro da mesma
federação.

 

O segundo é um agora velho conhecido do eleitorado capixaba: Felipe
Rigoni (PSB). Surpresa maior da eleição para a Câmara no Espírito Santo em 2018
(quando, muito jovem e desconhecido, elegeu-se federal com uma das maiores votações),
ele sabe fazer campanha nas redes sociais como ninguém. Em 2022, não
renovou o mandato, por causa da legenda, apesar de ter sido bem votado.

 

Após quatro anos sem mandato e chefiando a Secretaria Estadual do Meio
Ambiente, Rigoni volta fazendo campanha do mesmo jeito: sem estardalhaço,
voando abaixo do radar da mídia e dos concorrentes diretos… “Ele é ‘liso’. Você
não sente a presença dele, mas ele está ali”, define uma fonte.

Leia mais colunas de Vitor Vogas

Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Tópicos Relacionados

Notou
alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a
corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua
mensagem

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Privacidade e segurança

Privacidade e segurança

© 1996 – 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fonte: A Gazeta

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *