PF investiga apostas bilionárias de Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Uma movimentação bilionária registrada em apostas online entrou no radar da Polícia Federal (PF) em uma nova frente de investigação envolvendo o advogado Willer Tomaz, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A corporação apura a possibilidade de lavagem de dinheiro por meio de operações realizadas na plataforma Blaze, segundo documentos apresentados em uma disputa judicial movida pelo próprio advogado contra a empresa.
De acordo com a coluna de Bela Megale, em O Globo, um comprovante anual da Blaze anexado à ação aponta que Tomaz acumulou R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas ao longo de 2025. O resultado líquido do período foi negativo em R$ 163,2 milhões.
A nova apuração ocorre depois de Tomaz ter sido alvo de buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação sobre suspeitas de fraudes relacionadas a descontos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
PF abre nova frente de investigação
O foco dessa nova linha de investigação é esclarecer se as apostas podem ter sido utilizadas em operações de lavagem de dinheiro.
A abertura da apuração não significa que o crime tenha sido comprovado. Caberá aos investigadores analisar a origem, o destino e o percurso dos recursos e verificar se existem elementos que indiquem eventual ocultação ou dissimulação de patrimônio.
Tomaz rejeita a suspeita e afirma que todas as movimentações financeiras são identificáveis e ocorreram em conta de sua própria titularidade.
Bilhões refletem apostas sucessivas
Os valores registrados pela Blaze também exigem uma ressalva importante. Os R$ 4,8 bilhões em ganhos e os quase R$ 5 bilhões em perdas não significam que Tomaz tenha depositado esses montantes na plataforma.
As cifras correspondem ao resultado acumulado de apostas sucessivas. Dessa forma, um mesmo recurso poderia ser utilizado repetidamente: o dinheiro obtido em determinada aposta poderia voltar à plataforma para financiar novas operações, elevando progressivamente os totais contabilizados como ganhos e perdas.
O dado relevante para o resultado financeiro consolidado é a diferença entre essas operações. Segundo o comprovante anual mencionado no processo, Tomaz encerrou 2025 com saldo negativo de R$ 163,2 milhões.
Disputa judicial envolve R$ 20 milhões
Os números vieram a público porque o próprio Tomaz trava uma disputa judicial contra a Blaze na Justiça de São Paulo.
O advogado pede R$ 20 milhões à plataforma e sustenta, na ação, ser viciado em jogos. Ele acusa a empresa de ter burlado regras para lucrar com sua condição.
Foi nesse processo que o comprovante anual com os resultados das apostas realizadas em 2025 foi apresentado.
A documentação tornou possível dimensionar o volume acumulado das operações realizadas na plataforma e agora integra o conjunto de informações que despertaram o interesse dos investigadores.
Advogado nega lavagem de dinheiro
Procurado pela coluna de Bela Megale, Tomaz contestou as informações divulgadas sobre suas movimentações financeiras.
“Os valores divulgados não correspondem à realidade”, afirmou.
O advogado também rejeitou expressamente qualquer suspeita de lavagem de dinheiro.
“Não há que se falar em lavagem de dinheiro. Todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos”, afirmou.
Tomaz informou ainda que, “por se tratar de assunto de natureza estritamente pessoal, não fará outros comentários”.
Operação Sem Desconto colocou Tomaz na mira da PF
A nova frente surge após Tomaz ter sido alvo de mandado de busca e apreensão em uma fase da Operação Sem Desconto.
A investigação da Polícia Federal avançou sobre suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas às fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Naquela etapa, a PF informou ter identificado indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, envolveriam pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie.
Reportagem do Metrópoles também revelou que a Polícia Federal havia mencionado em relatório movimentações consideradas atípicas de R$ 45,5 milhões atribuídas a Tomaz entre maio e novembro de 2021. O próprio veículo ressalvou, porém, que, apesar de registrar essas transações, os investigadores não apontaram naquele documento uma conexão entre elas e a fraude investigada no INSS.
Tomaz, por sua vez, declarou anteriormente que jamais teve envolvimento com os fatos investigados na Operação Sem Desconto e sustentou não integrar o esquema de fraudes previdenciárias.
Relação com avião usado por Flávio Bolsonaro
Outro episódio citado pela coluna de Bela Megale envolve uma aeronave utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro em seu retorno ao Brasil, acompanhado da família, após uma viagem aos Estados Unidos em 2025.
Segundo reportagem da revista Piauí, Tomaz estava entre os proprietários do jato. Amigo de Flávio Bolsonaro, o advogado também estava no avião.
A aeronave tinha ainda o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre seus proprietários em um modelo de participação por cotas, conforme a publicação.
Tomaz afirmou que contratou os serviços da empresa responsável pela aeronave na condição de cliente e que desconhecia a participação de Vorcaro na sociedade.
Fonte: Brasil 247