Pousada em Tatuamunha revela o lado mais tranquilo da Rota dos Milagres
Por Márcio Diniz — Catraca Livre
Entre o mar e o rio, cercada por coqueiros, manguezais e trechos ainda preservados do litoral alagoano, Tatuamunha é um dos lugares que ajudam a definir a paisagem da Rota Ecológica dos Milagres. O distrito de Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas, mantém o ritmo de uma antiga vila de pescadores e tem na natureza um dos principais atrativos para quem percorre a região.
É nesse cenário que a Evva Boutique se destaca. Localizada no Sítio Cruzeiro, na Praia de Tatuamunha, a pousada tem 14 bangalôs e foi concebida em pequena escala, com as categorias Beira-Mar e Deluxe. A proposta é combinar a hospedagem com experiências relacionadas à paisagem, à gastronomia e à cultura da região.
A localização também aproxima os hóspedes de uma das principais iniciativas de conservação de Tatuamunha. O destino é conhecido pelo trabalho de proteção do peixe-boi-marinho, realizado com a participação de moradores e entidades locais. A observação dos animais em seu habitat natural está entre as experiências que podem ser contratadas pelos visitantes.
A relação com a comunidade é um dos pontos explorados pela Evva. A pousada mantém parcerias com profissionais da região e prevê uma parceria com a Associação Peixe-Boi, formada por ribeirinhos, pescadores, estudantes e outros moradores nascidos e criados em Tatuamunha. Além de atuar na conservação da espécie, a associação gera renda para os participantes.
“A Evva Boutique nasceu do desejo de criar uma hospedagem de alto padrão integrada à natureza e à cultura local. A proposta é proporcionar aos hóspedes experiências imersivas, permitindo que conheçam Tatuamunha de forma autêntica, por meio da aproximação com a comunidade e da interação”, explica Victória Gloor, uma das sócias do empreendimento.
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Uma pousada integrada à paisagem
A arquitetura da Evva segue uma linguagem brasileira contemporânea, com referências tropicais e espaços abertos voltados para o entorno. Volumes horizontais, grandes beirais e materiais como madeira, pedra e fibras naturais aparecem no projeto, enquanto o artesanato local é incorporado à decoração.
A ideia é evitar que a hospedagem se desconecte do destino. Em vez de concentrar a experiência apenas dentro da propriedade, a pousada utiliza a localização como ponto de partida para atividades ao ar livre e contato com a região.
Em dias selecionados, a programação inclui aulas de yoga, rituais de spa para os pés e apresentações de música ao vivo. Para quem prefere explorar o entorno, há bicicletas, pranchas de stand-up paddle e equipamentos para beach tennis, badminton e frescobol disponíveis aos hóspedes.
Passeios de jangada, buggy e cavalo podem ser contratados à parte. Jantares românticos também fazem parte das experiências oferecidas pela pousada.
Gastronomia regional
A gastronomia é outro caminho encontrado pela Evva para estabelecer relação com o destino. O cardápio é assinado pelos chefs Flávia Soares e Danilo Paixão e reúne releituras contemporâneas de pratos da culinária regional.
Entre as opções estão arroz de polvo, moqueca e o chamado tacho arretado, preparados com ingredientes frescos e produtos locais.
A pousada mantém dois espaços gastronômicos. O restaurante principal é exclusivo para hóspedes, enquanto o Anzo também recebe o público externo. A abertura do restaurante permite que a experiência gastronômica da propriedade faça parte da programação de quem visita Tatuamunha mesmo sem estar hospedado.
A escolha por trabalhar com apenas 14 bangalôs reforça o perfil de pequena escala da hospedagem. Mais do que oferecer uma grande estrutura de lazer, a proposta é usar a localização, a gastronomia e as atividades ligadas à natureza como parte da experiência de conhecer o destino.
Em Tatuamunha, isso significa ter como vizinhos o mar, o rio, os manguezais e uma comunidade cuja relação com o território também está ligada à conservação do peixe-boi. É essa combinação que dá à pousada seu principal argumento: fazer da hospedagem uma extensão do lugar onde está instalada.
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Fonte: Catraca Livre