Uso de bioinsumos cresce 80% ao ano em Goiás, diz presidente da Agrodefesa
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

O uso de bioinsumos em Goiás cresce cerca de 80% ao ano, segundo o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta. Em entrevista ao Jornal Opção, ele afirmou que a adoção desses produtos avança em ritmo oito vezes maior que o dos defensivos químicos, em um processo gradual de mudança nas lavouras.
Os produtos biológicos integram as estratégias de controle de pragas e doenças. Para Caixeta, a expansão dessa tecnologia não elimina a necessidade dos defensivos químicos, já que a escolha do tratamento depende das condições de cada cultura.
“Os defensivos agrícolas são necessários, tanto os químicos quanto os biológicos”, afirmou.
Participação dos biológicos pode aumentar na próxima safra
Segundo o presidente da Agrodefesa, na safra 2024/2025, a proporção era de aproximadamente três partes de produtos biológicos para sete de químicos. Ele relatou que o setor projeta uma inversão desse cenário em 2026/2027, com seis partes de biológicos para quatro de químicos.
Caixeta, porém, ponderou que não tem os números exatos e que a estimativa para a próxima safra ainda depende de confirmação.
“A tendência, segundo o setor, é chegarmos agora, em 2026/2027, a seis de biológicos para quatro de químicos. Não sei se isso vai se consolidar”, declarou.
O desempenho desses produtos, explicou, está relacionado ao comportamento das pragas e às condições climáticas. Embora existam tratamentos biológicos com resultados semelhantes ou superiores aos dos químicos, essa resposta não ocorre em todas as situações.
“Nós temos produtos biológicos hoje que têm funcionado e apresentado uma ação tão boa quanto ou até melhor do que a dos químicos. Já temos casos assim, mas não são todos. Depende muito da praga e das condições”, disse.
Regulamentação acompanha expansão
Caixeta também destacou o papel da legislação na organização do setor. Segundo ele, Goiás foi pioneiro na regulamentação dos bioinsumos, e a experiência estadual contribuiu para a elaboração das regras federais sobre produção, distribuição e utilização desses produtos.
Para o presidente da Agrodefesa, o avanço dos biológicos amplia as ferramentas disponíveis aos produtores. A substituição dos químicos, contudo, ocorre de forma gradual e deve considerar a eficácia do controle sanitário em cada lavoura.
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Fonte: Jornal Opção